Férias!

Amigos, amigas e colunas do meio, estou de férias. Como qualquer professor muito bem remunerado pelo Estado do Rio de Janeiro, vou fazer um tour pela Europa Não significa necessariamente que não trabalharei, vou aproveitar esse tempo de sobra para adiantar algums coisas na minha vida (o que as pseudocelebridades chamam de “projetos”). Em agosto estou de volta, Abraço!

Prazer, Poesia

Ou Ainda I Wanna Be Black Thought

Curiosamente (ou nem tão curiosamente assim), minhas primeiras inspirações para fazer poesias partiram do mundo do Rap. Tanto que se eu der uma olhada nas primeiras coisas que escrevi, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, em muito tem a ver com o Rap. Um discurso até um tanto agressivo, a temática em sua maioria de crítica social, misturado com aquele espírito meio rebelde e contestador da adolescência, apesar, claro, de eu considerar o todo dessas minhas primeiras poesias fraco hoje, apesar de muito esforçado. Mas foi a partir daí que meu interesse pela poesia aumentou cada vez mais. Não é exagero nenhum dizer que Racionais Mc’s me apresentou Carlos Drummond de Andrade e Tupac me apresentou Vinícius de Moraes.
A música até hoje tem influência muito grande nas poesias que faço, e uma das minhas maiores influências – desde sempre, acho eu - é justamente o grupo de Rap The Roots. Toda vez que escuto uma música deles, lembro desses tempos em que eu engatinhava de forma um pouco mais séria (se é que o que eu escrevo já é algo sério…) no maravilhoso mundo da literatura. Ao escutar algumas faixas do álbum mais recente deles, “How I Got Over”, um filme passa pela minha cabeça. E me dá muita saudade!

Link para a minha música predileta desse último álbum deles:

The Roots, “Now or Never”

NadaCrônicas, 39

Ou Ainda Tá Caído!

-    Rapaz, eu não sei o que aconteceu.
-    O quê que houve?
-    Poxa, sei lá, ele ta meio caído ultimamente, eu to preocupado com isso.
-    Como assim, caído, cara? Você não tem idade para isso não!
-    E por um acaso tem idade para isso acontecer?
-    Ué, é até normal ele perder um pouco da vitalidade, do brilho lá pros 40, 50 anos.
-    Mesmo assim, eu o queria sempre em pé.
-    Ta maluco, rapaz? O que as pessoas vão pensar de você se virem ele sempre em pé?
-    Vão pensar “esse cara é sagaz!”, mas com ele caído eu sinto o pessoal até rindo de mim. Estou me sentindo impotente, cara! Poxa, justo eu, que trato dele com tanto carinho, não deixo ninguém tocar nele…
-    Você é um maluco, isso sim! Se dependesse de mim, quem quisesse colocar a mão eu deixaria na hora! Mas que seja, isso não me importa. Você tem passado alguma coisa nele?
-     Tenho passado um shampoo, mas o creme acabou.
-    Que creme?
-    Porra, cara, que creme! Creme pra cabelo! Creme de cabelo para o cabelo, ué! Preciso desse Black Power impecável, as mulheres adoram meus cachos.
-    Cabelo?
-    É! Por quê? Você estava pensando em quê?
-    Eu? Deixa pra lá.

Toda Poética de Pegar Um Busum no Rio

bus-copy

Tira afanada descaradamente do ótimo Ryotiras (www.ryotiras.com)

Desde pequeno pego ônibus. E não é que eu ame andar de ônibus, eu, obviamente, me acostumei em ir aos lugares de ônibus (eu sei, eu sei, ser pobre é uma desgraça). Como tudo tem seu lado bom na vida (até pegar ônibus, desde que não seja o lado do ônibus em que o sol esteja castigando), até que é divertido. Ver as paisagens, os contrastes da cidade, as moças bonitas (e as que não são bonitas também, coitadas!), as pessoas com seu vai-e-vem normal de uma cidade grande, essas coisas. Eu sei, é uma visão meio poética. Mas vocês se enganam se acharem que eu só sou elogios aos ônibus cariocas.
Para começar, o preço do ônibus. Tem horas em que penso que eles tinham que cobrar metade da passagem, porque os anos passam e os ônibus diminuem de tamanho e o número de passageiros só aumenta. Então imaginem, três pessoas num lugar onde cabe uma. Uma criança, das pequenas, naturalmente. Ainda tem os motoristas que fazem do simples ato de pegar um ônibus um esporte olímpico. Se Usain Bolt fosse carioca, ele faria os 100 metros em seis segundos, porque os motoristas, imbuídos do espírito de deixar o carioca em boa forma, param o ônibus um pouco à frente dos pontos de ônibus. É coisa pouca, uns 50, 100 metros. E todo mundo sai correndo atrás do ônibus, seja jovem, idoso, cadeirante ou perneta. É muito bonito ver essas pequenas coisas na nossa rotina une pessoas tão diferentes. E é a maior felicidade quando esses ônibus fazem um favor a esse povo todo e param, porque desconfio que as empresas de ônibus devem oferecer prêmios para o motorista mais rápido do dia, e o prêmio deve ser muito bom, já que todos estão imbuídos deste espírito meio Fórmula Um.
Mas, mesmo assim, pagando o preço de andar num ônibus de primeiro mundo e se sentir não raro num pau-de-arara, até que andar de ônibus tem algo de bom, só que eu, infelizmente, ainda não descobri bem o que é. Só sei que para quem não tem sua própria Mercedes, tem que se contentar em pegar a Mercedes coletiva. Paciência, baixa renda!

Saudades do SPC…

“Quem já esteve na lista negra do SPC?”, pergunta a professora para sua turma do jardim de infância.

É impressionante a ânsia dos bancos em ganharem dinheiro, eles querem que você se afunde em dívidas eternas com eles, independentemente de você ser um notório devedor ou se você tem uma austeridade financeira de um ministro da Economia num governo do PSDB. Se você já está afundado em dívidas com eles, eles mesmos tratam de fazer você vender até as calças que veste, já que eles insistem em te mandar mais um cartão que te oferece várias vantagens, brindes, prêmios, prostitutas russas de luxo e outras coisas que você tem a esperança de ganhar (além de mais uma dívida) ao aceitar mais um cartão de crédito VIP Mothafucka Titanium Golden. E, você, inocente que é, cai nessa armadilha.
Aprendida a lição, depois, obviamente, de parcelar aquela fatura - que faria a dívida de um país em desenvolvimento ser comparada com uma pindureta no bar da esquina - em prestações a perder de vista, você promete que vai controlar seus gastos, vai economizar um dinheiro para o caso de uma necessidade. Só que o que você pensa ser uma solução acaba sendo um problema, pois o banco sabe que você está deixando uma reserva de dinheiro na sua conta e virou um bom pagador. Quando você menos espera o banco está te procurando para te oferecer mais um cartão de crédito, um plano de capitalização, até plano funerário. É tudo uma maravilha, é tudo muito bom, e a gente chega à conclusão de que é difícil resistir ao canto da sereia do SPC.
Por essas e por outras que vou guardar meu dinheiro no colchão.

Flavio Responde 3 - Especial Copa do Mundo!

Essa semana chega uma pergunta muito interessante e de uma pessoa especialíssima, da minha amiga Thaynan, namorada de um dos dois melhores guitarristas da minha banda, o grande Felipe, o Van Halen de Quintino. Vamos ver qual a dúvida dela:

“Você podia fazer um Flavio Responde especial para a copa do mundo. Tipo, como assistir aos jogos da copa com namorado e amigos, participar de tudo e não se passar por analfabeta futebolística!! hahahaha…
Beijos!”

Thaynan, Rio de Janeiro, RJ

Muito legal, Thaynan! Como vocês mulheres devem saber, a hora em que o homem está assistindo futebol é uma das coisas mais sublimes da nossa existência. E a Copa do Mundo para um homem é como fazer a trilha de Santiago de Compostela, peregrinar a Meca, ou estar trancado num quarto com gêmeas russas dispostas a fazer tudo que pedirmos. É algo que transcende. Cabe a vocês, mulheres, respeitar esse momento mágico na vida de um homem. Algumas coisas merecem ser lembradas para que vocês respeitem nosso momento e que não encham nosso saco durante este momento sagrado da existência de um homem. Vamos primeiro as dicas para vocês entenderem o jogo, antes de tudo:

1.    O sujeito de preto com um apito não pode fazer gol.
2.    Os dois sujeitos que ficam nas laterais do campo não estão com aquela bandeira torcendo para nenhum dos dois times.
3.    Eles também não torcem para o sujeito de preto com apito.
4.    Os sujeitos que estão pegando a bola com a mão não são do contra, é a função deles defender o gol.
5.    O Flamengo não está na Copa. Na Copa só participam países, apesar de alguns apresentarem um futebol de quinta categoria. Times de quinta categoria como o supracitado não jogam a Copa do Mundo.
6.    O Botafogo também não participa. Nem o Vasco, o Fluminense, o Barcelona, nem o Raio Que O Parta Futebol Clube.
7.    Falta é quando acontece uma jogada mais perigosa, que possa machucar algum dos jogadores.
8.    Escanteio é quando a bola toca em alguém do time que está defendendo. Tiro de meta é quando não toca.
9.    Lateral é quando (olha só que novidade!) a bola sai – adivinha? – pelas linhas laterais.
10.    Impedimento é uma coisa que o trouxa do seu namorado (assim como qualquer outro homem, inclusive este que vos fala) sabe exatamente quando acontece, mas ele não vai conseguir te explicar de uma forma que você entenda. É como se pedíssemos para vocês nos explicarem a graça da novela das 9. Só concorde com ele quando ele reclamar que o cara está (ou não) impedido.
11.    Gol é quando a bola entra naquele retângulo com rede.
12.    Gol de mão não pode.
13.   Qualquer dúvida que não esteja esclarecida aqui você pode considerar como resposta “Porque é assim” ou ainda a mais rebuscada “Sei lá, e vê se pega uma cerveja para mim, mulé!”.

Agora vou listar algumas coisas que vocês não podem fazer durante um jogo, sob nenhuma hipótese:

1.    Passar na frente da televisão.
2.    Fazer perguntas difíceis, como “Você me ama?” ou “Se eu pedisse para você escolher entre eu ou o futebol, o que você escolheria?”, a menos que você esteja preparada para respostas desagradáveis.
3.    Já falei, o Flamengo não participa da Copa do Mundo!
4.    Perguntar o que é impedimento.
5.    Falar que o Kaká ou o Cristiano Ronaldo são umas graças. Estamos pouco nos importando com isso. Guarde essa opinião para você.
6.    Falar que vai torcer para um país porque o uniforme dele é bonitinho.
7.    Perguntar qual é a graça de assistir um Argélia contra Eslovênia.
8.    Perguntar qual é a graça de assistir um jogo entre outras seleções que não sejam o Brasil.
9.    Perguntar qualquer coisa. Fique calada e deixa a gente assistir Argélia e Eslovênia.
10.    Já te falei, o Botafogo também não está na Copa!
11.    Pedir para trocar de canal porque está passando uma fofoca quente na Sonia Abraão.
12.     Não, não sei quem é Sonia Abraão. Nem Nelson Rubens, nem Revista Caras. Pode até perguntar quem é Felipe Melo (e a resposta provável será “um perna-de-pau que joga no Brasil”), ou alguma coisa que tenha saído no Lance ou na Playboy.
13.    Pensando bem, não pergunte nada. Fique calada e deixa a gente assistir Argélia e Eslovênia.
14.    Já te disse, o juiz não joga.
15.    Em caso de dúvida não esclarecida, fique calada e deixe a gente assistir Argélia e Eslovênia.

Espero que essas dicas tenham alguma valia, Thaynan. Qualquer dúvida, fique calada e me deixe assistir Argélia e Eslovênia, digo, escreva novamente. Abraço!

Eterno 10 da Colina

Vocês nem precisam me falar que ele não foi um grande exemplo de atleta, ou até mesmo de pessoa, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra. Ele foi, é, e sempre será o meu herói no esporte. Desde que ele parou de jogar, as minhas quartas-feiras e domingos ficaram vazios, seja com ele jogando com a camisa cruzmaltina ou com qualquer outra. Edmundo foi um dos últimos românticos do futebol, pois cada frase ou atitude sua era digna de manchete. Ele, Romário, Renato Gaúcho, Túlio, eram jogadores que fugiam do óbvio, em tudo. Eram gênios. Pode ser que vocês achem que um ou outro foi bem melhor do que ele, isso eu nem discuto. Mas que ele é meu herói, ele é. Isso sim é indiscutível.
E a saudade bate quando me lembro dele com a 10 do Vasco. Ed era imprevisível, imarcável, genial e genioso. Driblava como poucos, tinha classe, demonstrava raça e intimidava os adversários com a 10 e com a faixa de capitão. E de quebra, jogava com aquela cara de quem está ali fazendo uma coisa fácil, ridícula, como os grandes jogadores que tive privilégio de ver jogar, como o Zidane (parecia que Zizou jogava de smoking, tamanha a classe), o Riquelme ou o Ronaldinho Gaúcho. Mas Edmundo é diferente, é dos meus, vascaíno. Apesar de ter uma mancha na carreira (quando jogou naquele timeco rubro-negro, com o não menos genial e genioso Baixinho), herói é herói. Ed é uma espécie de Macunaíma, um herói brasileiro, com seus defeitos, arroubos de ódio e vaidade, mas que na hora em que a coisa apertava, era só tocar a bola para ele que ele tratava de resolver o jogo. Eu confiava em Edmundo até batendo pênalti, veja só.
Alguns torcedores de outros times podem falar que eles tem mais títulos, que o time tem uma torcida maior, essas coisas de quem gosta de contar vantagem. Mas uma das coisas que eu mais tive o privilégio de ver na minha vida foi o Vasco ganhar seus principais títulos. Eu vi! Ninguém me contou que o Vasco nos anos 1990 fez barba, cabelo e bigode – de português, claro. E o que mais fico feliz é que Edmundo foi responsável – direta ou indiretamente – por esses títulos. Edmundo está para mim assim como Pelé está para o torcedor santista dos anos 1960. Que me perdoe o Rei, mas Edmundo, ao menos para mim, foi o maior.

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