NadaCrônicas, 3

Parece que a série vai continuar. Parece.

A Número Dois

- Eu não aguento mais aquela mulher. Eu só a suportei esses anos todos por causa das crianças. Ainda bem que tenho você.
- Carlos Alberto, não me venha com essa! Sou sua amante, mas não sou tão burra assim. Você já fala isso há quase 15 anos. E não vem com esse papo que é por causa das crianças porque vocês nem tem filhos!
- Eu sei, Cristina. Eu não me separei dela justamente para não servir como um exemplo ruim para os filhos das outras pessoas, entende? E minha responsabilidade social? Como fica? Eu traio minha mulher, mas sou um cara correto. Mas juro para você, amor, que agora é sério. Ou eu mudo meu nome para Rainha Elizabeth, com “th†e tudo!
A amante é uma sonhadora. Sonha em ser a esposa, mesmo que isso dê muito mais trabalho do que ser amante. A Esperança é a penúltima que morre, já que provavelmente a amante estará no enterro da Esperança quando esta morrer, falando que a falecida foi uma amiga que a acompanhou a vida toda.
- Amor, eu tenho que ir agora, senão a outra desconfia. E não esquece: não liga lá para casa. Se for me ligar, liga para aquele número que te dei.
A amante é mantida tão escondida como o segredo de fabricação da Coca-Cola. Não adianta. Ela sempre diz que vai largar esse cafajeste, que enrola duas mulheres ao mesmo tempo e que esconde que a ama. Ora, o amor não se esconde, se grita para o mundo todo, pensa ela. Coitada. Tão inocente. Não entende os homens. Fala que vai esquecer esse canalha, e esquece, mas sempre arruma um pior.
O coração é como mulher de malandro, minha amiga: adora apanhar. Com o amor a gente nunca aprende.

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