MemĂłrias de Um Lugar Distante
Tá bom, tá bom, não é tão distante assim, mas não deixa de ser uma zona. Falei.
Essa é uma observação de toda uma vida.
É a observação de um lugar muito, mas muito distante. Exótico para os olhos estrangeiros – e até para os que são de lá. Alguns dizem que lugar igual não há, e eu confirmo essa idéia.
Pois bem.
É lá, do outro lado do mundo que sempre se disse civilizado. Um oceano todo de distância - Até porque lugares exóticos sempre são longe, já percebeu? -. Um lugar enorme. Um continente perdido, literalmente, para os mais pessimistas.
É nesse lugar que as pessoas andam no meio da rua, e os carros, motos, até caminhões disputam lugar. Na calçada.
É onde um desfecho Ă moda de Hollywood nunca vai acontecer – eu pelo menos vi muito pouco disso acontecer -. Os mocinhos sĂŁo os verdadeiros vilões, e mais do que isso, sĂŁo exceções por lá e causam atĂ© certa surpresa quando surgem. Para quem pensa em viver passando a perna em outrem, Ă© o ParaĂso na Terra!
Penso que é o único lugar no mundo que joga todas suas fichas no futuro, mas sem pensar em fazer e acontecer no presente. É um Destino Manifesto com preguiça por conta do calor tropical, penso eu. Coisa que nem o caquético determinismo geográfico consegue explicar.
Um lugar onde todos falam que ter educação é importante, mas se puder vencer na vida casando com alguém rico – feito as mocinhas pobres, sofridas e quase sempre de olhos azuis das novelas – é mais bem visto.
O Ăşnico lugar do mundo em que as leis simplesmente “nĂŁo pegam”. Respeito nĂŁo Ă© uma palavra muito bem vista por lá. SĂł se for na base de ferro e fogo (o que chamo de medo). E mais: Ă© um dos lugares do mundo onde nem quem devia zelar pela lei a respeita. A tal da Constituição parece ser uma mera formalidade. NĂŁo, melhor. Um queijo suĂço onde os mal-intencionados (o tipo de pessoa que muitas vezes Ă© bem visto e respeitado por lá) conseguem atĂ© licença para matar. Nem 007 teria tanta liberdade para tal ofĂcio, já que a rainha da Inglaterra parece nĂŁo gostar muito de derramar sangue alheio (pelo menos nĂŁo no tapete do Palácio de Buckingham). NĂŁo Ă© o caso dos “reis” por lá. Esses leram “O PrĂncipe” de Maquiavel e tornaram-se mais fundamentalistas que a Al Qaeda e a Opus Dei, juntas.
É onde tudo vai chegar um dia – seja água, luz, asfalto, justiça social – mas vai demorar. Muito.
Mas não se preocupe: assim como o mundo civilizado fechou – e ainda fecha - os olhos para tantas injustiças, a gente esquece disso tudo no bar mais perto da nossa casa. Até porque esse lugar é muito, mas muito distante daqui.

Cada vez melhor!!! Parabéns pelo sucesso global do seu blogger!!!
abraços amigo!!!
Opa!
Global? Sucesso, no máximo Ă altura da TVE. Sucesso global Ă© outro nĂvel intelectual, como de um ex-BBB, por exemplo, sei lá.
Mas mesmo assim, meu caro patrocinador, obrigado!
Abração!
Obrigado por Blog intiresny