NadaCrônicas, 29

Ou Ainda A Conquista

Parecia que eram só os dois. As pessoas que estavam no ônibus, as alegrias e tristezas alheias não existiam. O mundo era só deles dois naquele momento. Ele falou algo para ela, ela o olhou e riu. Provavelmente foi uma piada sem graça que ele contou, mas que era tão sem graça que ela abriu um sorriso. Esse é dos meus, deve ter aprendido a arte da conquista na Escola dos Românticos Politicamente Incorretos. Ele não era bonito, e ela também não era essas coisas todas, mas parecia que isso realmente não importava para nenhum dos dois. Ele falou algo no ouvido dela, e com aquela cara de quem não está jogando para perder. Ela olha nos olhos dele com uma cara de eterna indecisão. E de repente o beijo. Garoto bom, esse. Ajudou ela a dar adeus a indecisão, ou piorou a cabeça da coitada de vez. É um beijo longo. Contei exatos 1 minuto e 32 segundos. Ele só tem que tomar cuidado com essa mão direita, doidinha para apalpar o peito da sua conquista, mas nem o tapinha que ela deu na mão dele de leve interrompeu o beijo. Interrompeu só a apalpada. Deu vontade de falar para ele que, se ele continuasse beijando ela assim, em menos de 48 horas ele podia apalpar os peitos e outras coisas mais legais. E com tapinhas incluídos, mas só se ela pedisse.

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