Archive for the ‘Aprenda Com Quem (não) Sabe’ Category

Prazer, Poesia

Ou Ainda I Wanna Be Black Thought

Curiosamente (ou nem tão curiosamente assim), minhas primeiras inspirações para fazer poesias partiram do mundo do Rap. Tanto que se eu der uma olhada nas primeiras coisas que escrevi, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, em muito tem a ver com o Rap. Um discurso até um tanto agressivo, a temática em sua maioria de crítica social, misturado com aquele espírito meio rebelde e contestador da adolescência, apesar, claro, de eu considerar o todo dessas minhas primeiras poesias fraco hoje, apesar de muito esforçado. Mas foi a partir daí que meu interesse pela poesia aumentou cada vez mais. Não é exagero nenhum dizer que Racionais Mc’s me apresentou Carlos Drummond de Andrade e Tupac me apresentou Vinícius de Moraes.
A música até hoje tem influência muito grande nas poesias que faço, e uma das minhas maiores influências – desde sempre, acho eu - é justamente o grupo de Rap The Roots. Toda vez que escuto uma música deles, lembro desses tempos em que eu engatinhava de forma um pouco mais séria (se é que o que eu escrevo já é algo sério…) no maravilhoso mundo da literatura. Ao escutar algumas faixas do álbum mais recente deles, “How I Got Over”, um filme passa pela minha cabeça. E me dá muita saudade!

Link para a minha música predileta desse último álbum deles:

The Roots, “Now or Never”

Preto, Pobre, Mora Mal e… Ph.D

É o microondas que congela, a geladeira que deixa a água quente, o guarda-chuvas com goteira, o tênis que não se pode usar em dias de chuva, a televisão que a imagem não é boa (mas o som é melhor até do que o do rádio), a torneira que não pode ser ligada quando alguém está tomando banho quente, é o computador que te obriga a fazer uma tarefa de cada vez… Mas, bem ou mal, tudo funciona, e para tudo que não funciona direito, há de se ter um jeitinho. Ser pobre é mais do que destino, é mais do que a pura e simples falta de dinheiro, é quase como fazer um pós-doutorado em gambiarra.

Dois Anos!

Nesse final de mês, o melhor blog do mundo - tirando todos os outros da internet, claro – está completando dois aninhos. Dois anos! Quando escrevi o primeiro texto, em março de 2008, nem imaginava que eu teria papo para tanta coisa. E tive. Desde política, futebol, até carros com silicone nos peitos e mulheres fabricadas pela Ferrari, falei sobre tudo que sabia. Levando em consideração que tudo que sei é que nada sei, consegui cumprir com sobras o que pretendia: falar sobre nada, mas com cara de conteúdo.
E para os fanáticos por estatísticas – ou para aqueles que mal sabem contar - , mostro agora alguns números desses dois anos:

232 postagens de textos;
377 comentários;
21 categorias;
109 tags;
120 visitas por dia, em média;
- Nenhum patrocinador;
- Exatos r$ 3,58, um cadarço cinza, uma camisa do Vasco do ano de 1996, três pernas de óculos, 13 pregadores de roupa, 5 meias, uma chapinha de refrigerante Taí e uma figurinha do álbum do Power Rangers achados durante esses dois anos enquanto eu procurava a Dona Inspiração, que sempre teimava em se esconder debaixo de mesas, camas, sofás e outros móveis;
14 leitores fiéis (o anão que acompanhava o blog toda vez que conseguia alcançar o teclado e o mouse morreu no fim do ano passado);
16 processos (todos de mentira);
7 processos de paternidade (3 deram negativos!);
72 ameaças de morte (nenhuma deu certo, ainda);
- Um sem número de “spams”, em sua maioria de procedência russa;
- Nenhuma russa ninfomaníaca de 19 anos deu mole nesses dois anos. Nem russas, italianas, mexicanas, espanholas, cubanas, tailandesas ou de qualquer lugar do mundo, a não ser do nosso amado Brasil sil sil, mesmo que essas não sejam ninfomaníacas ou tenham 19 anos. Talvez 17 (vai dar cadeia!);
- Algumas dessas que deram mole, umas foram “finalizadas” e outras, por completa incompetência ou pela graça do bom Deus, não foram finalizadas pelo autor;
- Em média, umas 15 musas inspiradoras;
3 colheres de sopa de açúcar, 200 ml de leite, fermento, mistura tudo e dá em alguma coisa;
- E um autor com cara de bunda: EU.

Obrigado a todos que leram meus textos nesses dois anos. Vocês me ajudaram a vencer medos, a ver o mundo de maneiras diferentes, a discutir o sexo dos anjos e outras coisas. Obrigado, de verdade.

E continuemn por aqui, que eu vou ficar por aqui mesmo. A falta de opções realmente é uma porcaria.

Eu e Meus Óculos Escuros

Uai bi béqui: Ele é Schwarzenegger, e eu, Schwarzeneguinho…

Até pouco tempo atrás, eu não gostava muito de óculos escuros. Sei lá, implicância minha, achava que óculos escuros me faziam parecer um besouro com um pouco mais que 1,80 m. Mas eu vi que, se eu quisesse enxergar alguma coisa no sol que estava fazendo nesse verão senegalês daqui do Rio, eu teria que comprar uns óculos escuros. Comprei. Achei um que eu acabei parecendo o Exterminador do Futuro, versão negra, subdesenvolvida e resumida. Mas o que interessa é que os óculos não só me caíram bem como me fizeram mudar radicalmente a minha opinião sobre os óculos escuros. São esconderijos que cabem no bolso! Eu, que sou tímido, sempre tive dificuldade de olhar desconhecidos nos olhos. Agora olho numa boa, só falta fazer careta para eles. Fiquei com um ar meio perigoso, mas perigoso no sentido “ei, gatinha, quer descobrir o que tem de bom por trás desses óculos?”, não o perigoso “ei, madame, perdeu, isso é um assalto!”, sabe? Até para dar aquela olhada sacana para as moças na rua os óculos servem. Eu olho e elas não percebem. Ou percebem, sei lá. Depende se elas estão indo ou vindo.

NadaCrônicas, 34

Ou Ainda Óculos

- Olha, pode parecer loucura, e acho que é, eu tava lá do outro lado te olhando e vi que você também me dava umas olhadas, e resolvi vir aqui falar com você. Acho que você é a mulher da minha vida. N-não, deixa eu falar, por favor, sou tímido e a pior coisa que se pode fazer a um tímido é interrompê-lo quando ele está falando, frustra legal. Olha, eu sei que você saiu pra se divertir e a última coisa que você quer é ser importunada por um sujeito chato como eu. Juro que eu vou até embora depois de falar com você, se você quiser que eu vá, claro. M-mas olha – ai, to até suando frio! – eu vi que você estava sozinha e tomei coragem de vir aqui falar contigo. Sabe, tem que ser muito corajoso pra tentar alguma coisa com uma mulher tão linda! Eu só posso estar maluco! Mas o-olha, eu só queria uma companhia legal essa noite, não precisa ter beijo na boca, de ir para os “finalmente”, podemos só conversar, sei lá, eu até tirei os óculos para parecer mais atraente, mas não preciso nem de óculos para reparar nesse seu lindo – peraí, deixa eu colocar os óculos de novo! – reparar no seu lindo… Bigode?
- É, rapaz, acho que você tava passando cantada na pessoa errada…
D-desculpa! É que eu to nervoso, tirei os óculos para …
- Eu sei, eu sei, é a morena aqui atrás, né?
- É que – caraca! – você tem cabelo grande também… Mas por que você não falou nada? Não vai me dizer que estava gostando?
- Até estava, mas eu gosto de mulher também.
- Desculpa! Deixe-me passar para falar com ela… Oi, tudo bem? Olha, pode parecer loucura…

Resoluções de Ano Novo!

 

Eu sei que todo ano é o mesmo papo, prometo um monte de coisa e no fim do ano eu vejo que não fiz nada. Mas esse ano vai ser diferente, sei lá, estou sentindo um clima favorável, um amor no coração, ou o álcool me fazendo ficar meio emotivo e chapado, não necessariamente nessa ordem. Que seja. Mas eu só vou prometer o que posso cumprir.

Por exemplo, esse ano vou enfim cuidar do meu corpo. Vou malhar, fazer exercícios, essas coisas. Mas não vai ser agora em janeiro, nem em fevereiro, março, agosto ou outubro. Só lá para o fim de novembro, para dar tempo de ficar em forma para o próximo verão, até porque para esse verão não dá mais tempo.

Juro que dessa vez paro de fumar, mas vai ser aos poucos. Agora só fumo depois do sexo, ou quando eu estiver nervoso, ou quando estiver buscando alguma idéia legal que vá mudar minha vida, ou ainda quando quero dar uma relaxada ou só quando estiver de bobeira. Tirando essas horas, nada de cigarro!

Quanto ao álcool, eu estou determinado a parar de beber demais. Vou beber na medida. Na medida do copo, com direitos a várias repetições. Odeio desperdício.

Também vou ser mais sincero, exceto na hora de falar aquelas mentirinhas sociais.

Vou parar de falar mal das pessoas, pelo menos na frente delas. Isso facilita na hora de arrumar menos briga, que é outra promessa para o ano novo.

Tentarei ser mais tolerante com as diferenças entre as pessoas. Chega de chamar os homossexuais de viadinhos, os negros de gorilas, os brancos de bronzeado de palmito, os gordos de rolha de poço, o pessoal do candomblé de macumbeiros, o pessoal do reggae de maconheiros, os sem-pernas de cotó ou o PT de comunista.

Vou tentar fazer uma coisa que vai fazer minha mãe ficar orgulhosa, vou parar de falar a caralhada de palavrão que falo desde a adolescência. É um vício da porra que tenho. Vou parar antes que essa mania foda com minha vida social.

Vou também ajudar quem precisa. Vou parar de rir da cara deles. Coitados, esse povo não tem culpa de tanta desgraça que acontece na vida deles.

É…Esse ano promete!

 

Curso Básico de Educação, Segundo um Ogro - Capítulo 1

Nada vem me frustrando tanto quanto os dias que eu tento tirar um dia para mim. Como vocês já devem ter percebido, minha vida depois de entrar no magistério do estado do Rio de Janeiro virou uma bagunça, e olha que minha vida antes de eu entrar para o estado já não era tão organizada. Mas o lado positivo é que estou trabalhando no que gosto. Não posso reclamar muito. E nem estou reclamando do trabalho de professor, que confesso, é cansativo. Mas estou chateado justamente com os dias livres.
Não, eu não virei um workaholic. Muito pelo contrário. Eu tento trabalhar bem – e rápido! - para poder descansar o máximo de tempo que posso. E assim foi essa semana. Por uma série de fatores e coincidências, consegui um dia inteirinho livre. Livre mesmo. Sem nada para fazer. E pretendia aproveitar a oportunidade para dormir feito um porco obeso (mesmo sem saber como um porco obeso dorme). Pois é, PRETENDIA. Sabe quando as coisas tem tudo para dar certo e surgem coisas que tentam fazer que tudo vá por água abaixo? Foi exatamente isso que quase aconteceu. Quase. Quase porque tive que usar da minha ignorância para alcançar meus meios. E assim o fiz. Fingi que não escutei o que falaram comigo, desliguei telefone na cara dos outros, até gritei uns palavrões para pessoas que há muito tempo mereciam um coice daqueles. Sinto-me leve como uma pena, uma pena de 70 quilos. Agora sim sou um homem descansado. Tudo que um pouco de uma educação digna de um ogro não resolva. Agora me dêem licença, acho que vou dormir mais um pouquinho, porque amanhã o dia vai ser movimentado, e o ogro vai ter que voltar a ser um príncipe. Uma pena.

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