Archive for the ‘As Minhas Memórias Que Ainda Lembro’ Category

Prazer, Poesia

Ou Ainda I Wanna Be Black Thought

Curiosamente (ou nem tão curiosamente assim), minhas primeiras inspirações para fazer poesias partiram do mundo do Rap. Tanto que se eu der uma olhada nas primeiras coisas que escrevi, quando eu tinha uns 14 ou 15 anos, em muito tem a ver com o Rap. Um discurso até um tanto agressivo, a temática em sua maioria de crítica social, misturado com aquele espírito meio rebelde e contestador da adolescência, apesar, claro, de eu considerar o todo dessas minhas primeiras poesias fraco hoje, apesar de muito esforçado. Mas foi a partir daí que meu interesse pela poesia aumentou cada vez mais. Não é exagero nenhum dizer que Racionais Mc’s me apresentou Carlos Drummond de Andrade e Tupac me apresentou Vinícius de Moraes.
A música até hoje tem influência muito grande nas poesias que faço, e uma das minhas maiores influências – desde sempre, acho eu - é justamente o grupo de Rap The Roots. Toda vez que escuto uma música deles, lembro desses tempos em que eu engatinhava de forma um pouco mais séria (se é que o que eu escrevo já é algo sério…) no maravilhoso mundo da literatura. Ao escutar algumas faixas do álbum mais recente deles, “How I Got Overâ€, um filme passa pela minha cabeça. E me dá muita saudade!

Link para a minha música predileta desse último álbum deles:

The Roots, “Now or Never”

Eterno 10 da Colina

Vocês nem precisam me falar que ele não foi um grande exemplo de atleta, ou até mesmo de pessoa, mas quem nunca errou que atire a primeira pedra. Ele foi, é, e sempre será o meu herói no esporte. Desde que ele parou de jogar, as minhas quartas-feiras e domingos ficaram vazios, seja com ele jogando com a camisa cruzmaltina ou com qualquer outra. Edmundo foi um dos últimos românticos do futebol, pois cada frase ou atitude sua era digna de manchete. Ele, Romário, Renato Gaúcho, Túlio, eram jogadores que fugiam do óbvio, em tudo. Eram gênios. Pode ser que vocês achem que um ou outro foi bem melhor do que ele, isso eu nem discuto. Mas que ele é meu herói, ele é. Isso sim é indiscutível.
E a saudade bate quando me lembro dele com a 10 do Vasco. Ed era imprevisível, imarcável, genial e genioso. Driblava como poucos, tinha classe, demonstrava raça e intimidava os adversários com a 10 e com a faixa de capitão. E de quebra, jogava com aquela cara de quem está ali fazendo uma coisa fácil, ridícula, como os grandes jogadores que tive privilégio de ver jogar, como o Zidane (parecia que Zizou jogava de smoking, tamanha a classe), o Riquelme ou o Ronaldinho Gaúcho. Mas Edmundo é diferente, é dos meus, vascaíno. Apesar de ter uma mancha na carreira (quando jogou naquele timeco rubro-negro, com o não menos genial e genioso Baixinho), herói é herói. Ed é uma espécie de Macunaíma, um herói brasileiro, com seus defeitos, arroubos de ódio e vaidade, mas que na hora em que a coisa apertava, era só tocar a bola para ele que ele tratava de resolver o jogo. Eu confiava em Edmundo até batendo pênalti, veja só.
Alguns torcedores de outros times podem falar que eles tem mais títulos, que o time tem uma torcida maior, essas coisas de quem gosta de contar vantagem. Mas uma das coisas que eu mais tive o privilégio de ver na minha vida foi o Vasco ganhar seus principais títulos. Eu vi! Ninguém me contou que o Vasco nos anos 1990 fez barba, cabelo e bigode – de português, claro. E o que mais fico feliz é que Edmundo foi responsável – direta ou indiretamente – por esses títulos. Edmundo está para mim assim como Pelé está para o torcedor santista dos anos 1960. Que me perdoe o Rei, mas Edmundo, ao menos para mim, foi o maior.

Pequenos Adultos

Eu tenho a ligeira impressão que estou atravessando aqueles momentos de nostalgia, de achar que as coisas do meu tempo eram bem melhores do que as de hoje. Juro para vocês, não é implicância minha, as coisas realmente estão muito estranhas, isso para não dizer que estão piores. Eu não vou cometer a audácia de dizer que o mundo de hoje é uma porcaria. Sim, é uma porcaria mesmo, mas eu não vou ficar espalhando aos quatro ventos que nada presta, longe de mim! Mas que hoje esse mundo está estranho, ele está.
E uma das coisas que eu acho graça hoje em dia (isso para não chorar de raiva) é essa “inversão etáriaâ€, essa coisa de os mais velhos procurarem a eterna fonte da juventude e os mais novos desejarem queimar etapas e serem pequenos adultos. Eu nem vou falar muito dos vovôs que tinham tudo para aparecer lépidos e fagueiros num comercial do Viagra, com suas bengalas apontando para cima, invés de concordarem com a Lei da Gravidade. Fazer o quê, é o avanço da ciência deixando a velha guarda contente e com a disposição de um garoto. Deixa o pessoal aproveitar o segundo tempo da vida, eu não tenho nada a ver com isso. Eu fico espantado é com o fenômeno inverso, dos mais jovens - crianças inclusive! – apressarem as coisas e parecerem mais velhos. As crianças de hoje não tem a mesma inocência do meu tempo de criança, e isso tudo num intervalo de uma geração. Lembro como se fosse hoje, minha irmã com uns quatro ou cinco anos, com aqueles vestidos que a faziam parecer uma boneca, cheia de laços no cabelo, linda. E era comum ver isso. E eu não estou falando de quarenta anos atrás, estou falando dos distantes anos 1990! Muito tempo, coisa de século passado.
Hoje em dia, é normal vermos as crianças vestidas como miniaturas de adultos. Lembro que há um tempo atrás eu vi uma foto da filha do Tom Cruise (essa foto aí de cima!), de cinco ou seis anos, com salto alto. Não vou dizer que é culpa das crianças, coitadas. Os pais é que parecem que estão ficando sem juízo mesmo. Esses mesmos pais incentivam a criança a ter um comportamento inadequado para a idade delas (ensinam palavrões, danças erotizadas, entre outras coisas), e quando mais tarde a situação fica fora de controle, vão culpar qualquer coisa (a televisão, os amigos, blablabla), menos assumir a culpa pela criação dos próprios filhos. E, passada a infância, chegando na fase da adolescência, mais dificuldades, já que a situação há muito estará fora de controle. E dá-lhe gravidez precoce, abandono da escola (para quê que ela serve mesmo?), casamento precoce… Claro, não estou dizendo que uma criança que é criada nessas condições não será uma boa pessoa, que é certo que terá uma infinidade de traumas, mas há de se reconhecer que essa queima de etapas é um risco no desenvolvimento dessas crianças.
O que me deixa triste é que boa parte da minha geração que são os pais e mães dessa criançada de hoje. Fizeram alguma coisa com a gente nos anos 1990 para nos traumatizar para o resto da vida. Talvez tenham sido as roupas de criança que usávamos, sei lá. Traumático.

Eu Tava Pensando…

laerte

Ideias – sejam boas ou ruins – não tem hora, nem lugar para surgirem, disso todo mundo sabe. Mas tem horas em que a cabeça parece estar mais tranquila para pensar na vida. Eu mesmo costumo ter meus “insights†quando estou tomando banho, lavando louça, antes de dormir (ou dormindo mesmo), até mesmo no mercado. Não, eu não tenho nenhuma teoria científica para explicar esse fenômeno, do porque que comigo boa parte das minhas idéias surgem quando estou fazendo uma dessas coisas. Pode ser que umas são coisas chatas de fazer, ou é o contato da água que faz com que libere alguma coisa dentro da cabeça que faça a gente pensar, realmente não sei. Mas que é engraçado, é.
Já me flagrei pensando em coisas essenciais para minha vida enquanto estava no banho, por exemplo. Foi algo como “estou precisando trabalhar com o que gosto – deixa eu passar o shampoo, merda de cabelo grande –, essa vida não é para mim – cadê o sabonete? -,essa vida não ta me agradando – nem o cheiro do meu sovaco, cruzes!â€. É estranho porque a cabeça está ocupada com uma tarefa e você está focado com todas suas forças em outra tarefa completamente diferente.
E tem horas que conto minha fortuna lavando a louça, mesmo que eu só saiba contar até 17 e que minha fortuna não seja algo que passe de, sei lá, r$ 17. Muitos dos meus melhores textos surgiram naquele momento antes de dormir. Era algo como “essa idéia é muito boa, vou ver se lembro dela amanhãâ€. Músicas surgiram enquanto eu estava dormindo. Sonhei com elas, com todo o processo, desde escrever no meu caderno de rascunhos até tocá-la. Toda essa  dúvida talvez tenha alguma explicação psicológica, talvez seja uma espécie de “ato falho†da cabeça, não sei. O esquisito é que se eu tentar repetir esse hábito de pensar em outras coisas enquanto estou fazendo outras tarefas que não sejam essas que citei para vocês, a coisa fica muito complicada, constrangedora até, como aconteceu comigo há umas semanas atrás, numa fila para tirar xerox de umas provas. Foi mais ou menos assim que cheguei para o rapaz da copiadora:
- Boa tarde, xereca para mim?
- Quê?
- Opa, desculpa, xeroca para mim? Eu tava com a cabeça em outra coisa.
Por pouco ele não diz que eu estava com as duas cabeças em outras coisas. Melhor assim.
Por isso que falo que a cabeça é coisa muito estranha.

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 5

Cláudia. Esse era o nome dela. Era linda. Das minhas paixões platônicas foi a mais bonita, a que rendeu meus mais apaixonados poemas, e a maior esperança de eu vencer a timidez que vira e volta ainda me prejudica. Quando eu ficava do lado dela era mágico, eu sabia que não precisava indagar a existência de Deus, vida eterna, portão dourado, porque estava do lado de um anjo. Linda com seus cabelos negros cacheados, seus olhos castanhos, sorriso fácil (acho que foi a primeira que riu das minhas piadas sem graça!)… Ela era… Era…Linda.
Eu sentia que com ela podia ser diferente, porque do lado dela eu não me sentia menor, ela, diferente das outras, não parecia que estava num pedestal, mas vai saber, foi o destino que fez a gente seguir caminhos diferentes. Mas, mesmo assim, passados uns cinco ou seis anos que não a vejo, ainda olho com carinho as coisas que escrevi para ela, e que ela – feliz ou infelizmente, talvez ela não gostasse de poemas! - não viu. Mais do que o amor platônico “mais menos†(isso existe?) platônico, Cláudia foi uma musa daquelas. E uma das coisas que até hoje, anos – e alguns amores, platônicos ou não – passados, que eu tenho muito carinho e orgulho de ter escrito surgiu de uma gaveta numa tarde dessas, feito um convite. Um convite para lembrar de coisas boas. Aqui está:

Ao Meu Amor Platônico

Os seus olhos castanhos fascinam os meus
olhos tal qual hipnose, e eu dessa virose não tenho antídoto
Amo minha doença por ela ter o sorriso
mais belo, tão lindo e letal para um sujeito tímido

Não há vacina nem cura: meu amor ora melhora,
ora torna-me febril ao vê-la vindo, humilde graciosidade
proporcional aos meus sonhos… Incurável sempre e agora
Amo-te na saúde, doente terminal de felicidade

Se eu tiver que morrer agora que seja te amando,
para que a dor física seja ridícula frente ao amor platônico
e da loucura sã de te ver e fingir não te querer

O amor é forte a ponto de eu não estar suportando
essa doença perpétua do coração, meu padecer pouco lacônico
a ponto de amar-te e fingir não sofrer.

Rio de Fevereiro, 25 de setembro de 2004.

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 4

Sempre achei costeletas o máximo. Sabe, dá um estilo meio “retrô†no visual, sei lá. E desde da minha pré-adolescência que sonho em ter costeletas. Talvez eu morra sem realizar sonho tão… Peludo. Já estou nos meus 20 e poucos anos e nada de costeletas. É um motivo de vergonha para mim, um vexame sem precedentes na minha história. Sempre sonhei em deixar minha barba crescer, claro, naquele estilo “casual descuidado†- sem exageros à moda dos profetas ou dos Los Hermanos -, para sair arranhando algumas mulheres com minha barba rala e sensual, ou pelo menos passar a (falsa) impressão de que sou um homem maduro. Mas parece que serei um homem frustrado, “barbeiramente†falando. Que lástima, não sirvo nem para ser um náufrago! Quem respeitaria um náufrago sem uma barba decente?

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 3

logo

Não conhece? www.espantalhotorvo.com

Dedico aos dois melhores guitarristas da minha banda, os Irmãos Gallagher de Quintino, Felipe e Danilo.

- Ó, a parada é a seguinte: vocês vão tocar numa terça-feira, lá pras 23 horas, e a gente vai dar para vocês uns 40 ingressos para vocês venderem a r$ 10 cada um, pra nos ajudar a pagar o espaço. Ou seja, vocês vendem uns 20 para pagar a gente e o resto que vocês conseguirem vender pode ficar para vocês.
- E se a gente não conseguir vender r$ 200 em ingressos?
- Ué, tira do bolso de vocês! Tira do bolso ou não toca. Mas não fiquem preocupados, porque o dia e o horário são muito bons, vocês vão conseguir acabar com esses 40 ingressos facinho, facinho.
- Sei… mas vocês vão fazer propaganda do evento também, né?
- Claro! A gente vai colocar uma nota de rodapé no site www.quinquagesimoterceirofestivaldebandasindependentesdoriodejaneiro.com, um site que tem, aproximadamente, 12 visitas por dia.
- Legal! Mas e a aparelhagem?
- Tudo de primeira.
- Mas essa caixa com cheiro de queimado e esse surdo da bateria com um dos pés improvisados com um tijolo? Isso porque nem falei do palco pequeno até para um trio de punk rock anão da Somália. Parece que a parada aqui é meio caída…
- Que caída nada, rapá, é pra dar um clima meio old school, total garage badass modafucka underground ao lugar e tal…
- Pô que legal! Vamos tocar então.
- Qualquer coisa eu também produzo bandas…Conhece Metallica? Fui eu que tirei eles do underground…

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