Archive for the ‘Brazil zil zil’ Category

Cenas (In)Comuns, 2

Para aí, cidadão.
- Quem, eu?
- É.
- O que houve, seu guarda?
- Deixa eu ver a documentação do carro.
- Ih, seu guarda, dá não.
- Por quê?
Esse carro não é meu, é emprestado, e nem tenho carteira ainda.
- Que bonito, hein! Sai do carro! E essa lata de cerveja vazia dentro do seu carro?
- É, seu guarda, eu admito, eu tava bebendo enquanto bebia.
- E pelo menos a uns 30 km/h acima do permitido. Você gosta de confusão, hein garoto!
- Mas seu guarda, a gente pode resolver isso.
- Como assim, rapaz?
Aceita um dinheiro para a cervejinha?
- Você está querendo me subornar, rapaz?
- Sabe, “subornar” é uma palavra muito forte. Diria que é uma “ajuda de custo” pelo seu trabalho bem feito.
- Você pensa que todos policiais são corruptos?
Não é questão de corrupção, seu guarda, é fazer uma vista grossa. Me libera que prometo pro senhor que nunca mais sou pego numa blitz, não atropelo velhinha, nem xingo no trânsito.
- Rapaz, você ta fazendo um juízo errado dos policiais…
- Que absurdo, seu guarda! Você não vai aceitar suborno? Acho que isso vai custar seu emprego! No Brasil é quase como violar a Constituição! Chama seu superior que eu tenho uma queixa para levar a ele! Absurdo, não aceitar suborno, ainda mais no Brasil…

Mais Uma Vez, O Mesmo Papo de Sempre…

Tenho certeza absoluta que as opiniões que mostro por aqui estão muito longe de serem novidades, até porque nunca pretendi descobrir a roda ou o fogo. Mas tem coisas que são engraçadas: a medida que elas são repetidas, elas cada vez mais são esquecidas. E assim é com a nossa política, que é apenas uma espécie de microcosmo da sociedade brasileira, que prega o bem estar do indivíduo, mesmo que tenha que pisar em outras pessoas para alcançar o topo. De nada adianta reclamarmos que os políticos são isso ou aquilo se nós somos os verdadeiros calhordas. Quanto a eles, eles são apenas reflexos da sociedade brasileira, com poder de fazer praticamente o que bem entendem e sem temer uma punição, pois o próprio sistema – jurídico, eleitoral, entre outras esferas - os ajuda. Ainda bem que ninguém me pergunta o que vai acontecer, porque penso que mais uma vez – e infelizmente é uma coisa que durará muito tempo – vai acontecer absolutamente nada. Vão pegar os peixes pequenos para dizer que a impunidade não venceu, mas a impunidade vem vencendo desde que Cabral pisou na Terra dos Papagaios. E não importa a maneira de carregar o dinheiro, seja malote, carta, pombo-correio, aviãozinho de papel, mala, cueca, meia. Se nós não repensarmos o que queremos para o Brasil, ao invés de que esperamos do Brasil, a coisa vai ficar do jeito que está, porque pior não tem como ficar.
E parece que está meio fora de moda fazer pressão nos políticos, até porque manifestações minimamente sérias não parecem com a balada do fim de semana.
Ano que vem tem eleições. Haja paciência.

Eu no Duelos!

 

Sou mais a velhinha…

E aí, macacada, beleza?

Mais um poema do bom lá no Duelos Literários, confira e reflita:

http://duelosliterarios.blogspot.com/2009/11/amor-e-futebol-i-por-flavio-braga.html

Abraço!

Record, Globo, Igreja Universal, Justiça…

Essa guerra entre a Record (e a Igreja Universal) e a Globo, que ganhou as manchetes nas duas últimas semanas tem umas coisas engraçadas. Penso eu que se a Universal não tem nada para esconder, então que prove que a Justiça está errada. Com provas, e não com ataques. Penso que se a Universal baseasse sua defesa em provar que o bispo Edir Macedo e as outras pessoas da Universal que são acusadas pela justiça são inocentes com provas, e não com ataques à Globo e à justiça, seria suficiente. Mas não, preferiram tomar um rumo que duvida da inteligência de qualquer pessoa, ou seja, não rebate as acusações. Ao invés disso, atacam a Globo (que está fazendo seu papel de imprensa, e mesmo sabendo que a imprensa não é imparcial, ela defende seus interesses, seja da briga de audiência ou algo parecido, mas sei que qualquer meio de comunicação minimamente ameaçado faria o mesmo) e a justiça. Ninguém – eu disse ninguém – duvida da fé dos evangélicos ligados à Igreja Universal, ninguém colocou em xeque a religiosidade dos evangélicos – não diretamente, pois sabemos que os evangélicos são perseguidos, sim -, mas a Record tomou esse caminho de deixar de rebater as acusações com provas e faz sua defesa atacando meio mundo. Ora, se as acusações são tão absurdas, porque não provam?
E mais:
a Globo não é uma instituição isenta, muito pelo contrário. Apoiou a ditadura militar, manipulou o debate entre Collor e Lulla em 89, é tendenciosa ao extremo, e está ligada a muitas coisas que fazem do Brasil um antro de gente preconceituosa e ignorante. Se o Inferno tivesse seu veículo de imprensa na Terra, a Globo seria sua filial, em suma. Mas as reportagens da Record atacando a Globo são de um mau gosto tremendo. A entrevista com Edir Macedo foi umas das mais chapa-branca que vi nos últimos anos. A Record tem muito, mas muito que aprender em matéria de vilania com a Globo. E nessa brincadeira ninguém vai para o Céu.

Memórias de Um Lugar Distante

Tá bom, tá bom, não é tão distante assim, mas não deixa de ser uma zona. Falei.

Essa é uma observação de toda uma vida.
É a observação de um lugar muito, mas muito distante. Exótico para os olhos estrangeiros – e até para os que são de lá. Alguns dizem que lugar igual não há, e eu confirmo essa idéia.
Pois bem.
É lá, do outro lado do mundo que sempre se disse civilizado. Um oceano todo de distância - Até porque lugares exóticos sempre são longe, já percebeu? -. Um lugar enorme. Um continente perdido, literalmente, para os mais pessimistas.
É nesse lugar que as pessoas andam no meio da rua, e os carros, motos, até caminhões disputam lugar. Na calçada.
É onde um desfecho à moda de Hollywood nunca vai acontecer – eu pelo menos vi muito pouco disso acontecer -. Os mocinhos são os verdadeiros vilões, e mais do que isso, são exceções por lá e causam até certa surpresa quando surgem. Para quem pensa em viver passando a perna em outrem, é o Paraíso na Terra!
Penso que é o único lugar no mundo que joga todas suas fichas no futuro, mas sem pensar em fazer e acontecer no presente. É um Destino Manifesto com preguiça por conta do calor tropical, penso eu. Coisa que nem o caquético determinismo geográfico consegue explicar.
Um lugar onde todos falam que ter educação é importante, mas se puder vencer na vida casando com alguém rico – feito as mocinhas pobres, sofridas e quase sempre de olhos azuis das novelas – é mais bem visto.
O único lugar do mundo em que as leis simplesmente “não pegam”. Respeito não é uma palavra muito bem vista por lá. Só se for na base de ferro e fogo (o que chamo de medo). E mais: é um dos lugares do mundo onde nem quem devia zelar pela lei a respeita. A tal da Constituição parece ser uma mera formalidade. Não, melhor. Um queijo suíço onde os mal-intencionados (o tipo de pessoa que muitas vezes é bem visto e respeitado por lá) conseguem até licença para matar. Nem 007 teria tanta liberdade para tal ofício, já que a rainha da Inglaterra parece não gostar muito de derramar sangue alheio (pelo menos não no tapete do Palácio de Buckingham). Não é o caso dos “reis” por lá. Esses leram “O Príncipe” de Maquiavel e tornaram-se mais fundamentalistas que a Al Qaeda e a Opus Dei, juntas.
É onde tudo vai chegar um dia – seja água, luz, asfalto, justiça social – mas vai demorar. Muito.
Mas não se preocupe: assim como o mundo civilizado fechou – e ainda fecha - os olhos para tantas injustiças, a gente esquece disso tudo no bar mais perto da nossa casa. Até porque esse lugar é muito, mas muito distante daqui.

Bigodes, Padarias, Piadas, Estatísticas e Um Grande Povo…


…Grande povo. E bem apessoado. Pelo menos as portuguesas. Viva Portugal (Lá vou eu apanhar em casa…)!

Portugal deve ser muito mais que as piadas de português que contamos aqui no Brasil, com certeza. Nem todos portugueses devem ter bigodes ou padarias, para o bem da moda e do capitalismo, respectivamente. Portugal é mais, muito mais.
Eu sei, nunca fui a Portugal. Mas com certeza deve ser um lugar mágico e é um dos dois lugares que quero visitar antes de morrer – o outro é Cuba, antes do Fidel morrer – porque sinto que os brasileiros temos que agradecer aos portugueses por suas virtudes e puxar as suas orelhas por alguns de nossos vícios. Coisa de irmãos.
Já escutei de muitas pessoas que seria mais interessante - para não dizer melhor, acredite! - se o Brasil tivesse sido “achado” e colonizado por ingleses, franceses, holandeses, espanhóis ou o Diabo a Quatro. Que a história seria diferente, que seríamos uma espécie de Estados Unidos. Deixem os estadunidenses de lado e pensemos no legado que, não só os portugueses, mas os africanos, os indígenas, os asiáticos e outros europeus nos deixaram, e que de fato fazem brasil ser Brasil. Respondo a esses desinformados que muito do que, nós, brasileiros, somos hoje, seria perdido sem o legado português, e Brasil não seria “O” Brasil, que amamos, odiamos, amamos odiar e tanto odiamos amar. Não me restam dúvidas que o povo português é um povo caloroso, grandioso e muito inteligente, diga-se de passagem. Um povo que dominou os mares desse pequeno planeta Terra durante quase dois séculos com uma população que na época das Grandes Navegações não passava de 1 milhão de almas (ou seja, uma enorme Duque de Caxias, cidade da Zona Metropolitana do Rio de Janeiro) não merece ser desprezado. Aos meus amigos portugueses, os que conheço, como minha amiga Maria, e a outros que não tenho ideia de quem são, mas eles sabem quem eu sou graças a internet, obrigado. Nunca mais conto piada de português, agora só conto piada de japonês. Tem aquela piada, do japonês chamado Manuel, que…

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Amigos, esse domingo foi um dia muito especial para mim. E vocês vão me dizer que eu fico feliz a toa, mas o que importa é que eu tive uma grata surpresa ao olhar as estatísticas do meu blog. Eu sei, eu sei, já cansei de falar com vocês que sou muito ruim com contas, mas adoro estatísticas. No domingo eu estava dando uma olhada nas estatísticas do meu blog e tive uma surpresa de outro mundo, digo, de outro mundo não, do outro lado. Do Atlântico.
É, meus queridos, estou ficando famoso. Em Portugal. Nossos irmãos portugueses são responsáveis por mais de 11% das visitas a esse humilde blog de nada. Não bastasse isso, cidades portuguesas como Lisboa e Porto ocupam o topo de visitas ao blog. É bom saber que o mundo realmente é pequeno e que amantes do que o grande Olavo Bilac, se não me engano, dizia ser a “última rosa do Lácio”, isto é, nossa amada lingua portuguesa, do outro lado desse riacho que é o Oceano Atlântico, visitam o blog com frequência. Aos meus amigos portugueses, muito obrigado.

Uma Ditadura, Com Fritas, Por Favor


Nada mais confortável do que viver sob as asas paternais de uma ditadura. É o que parece que queremos. Quando exigimos que o poder público coloque o Exército nas ruas para nos proteger dos nossos próprios fantasmas, estamos na verdade jogando nossa liberdade no lixo. Primeiro que essa não é a função dos militares, que deveriam estar fazendo coisas mais importantes do que vigiar nossas esquinas, como vigiar nossas fronteiras ou descascar batatas. Para vigiar as esquinas existem os policiais*. Quando assinamos um abaixo-assinado da associação de moradores do nosso bairro para botar guaritas nas nossas ruas, ou pior ainda, quando abaixamos a cabeça para milícias, organizações do crime organizado e afins, por um luxo que parece mais valioso que nossa simples liberdade de ir e vir (os famosos “gatos”), a gente joga tudo que conquistamos em matéria de liberdade – que já é pequenininha assim, ó – no aterro de Gramacho. Talvez não sejamos passivos, somos paliativos, isso sim. Ao invés de votar direito e depois cobrar direito pelas promessas que nossos amados políticos fazem nas eleições, o que é o de praxe numa democracia (ou teria que ser), nós apelamos para os santos, as igrejas, os bandidos, ao diabo, menos – adivinha? – aos nossos políticos. Pois então, amigo, antes de esbravejar que a cidade só tem jeito na base da porrada, pense bem no que fala, pois quando tirarem sua liberdade em prol da suposta segurança, não reclame.

*Alguns números, mesmo para quem é ruim de conta feito eu: no Rio de Janeiro existe uma média de 1 policial militar para cada 400 habitantes, enquanto em São Paulo, que é uma cidade maior que o Rio, há 1 policial para cada 434 habitantes, isto é, o negócio por aqui não é falta de policial, e sim o que esses policiais estão fazendo – o tal do “desvio de função”. Para maiores detalhes, leia no link que peguei no blog “Repórter de Crime”, de Jorge Antônio Barros:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/post.asp?t=coronel-jose-vicente-problema-do-rio-desvio-de-policia&cod_Post=143728&a=135

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