Archive for the ‘Brazil zil zil’ Category

Uma Ditadura, Com Fritas, Por Favor


Nada mais confortável do que viver sob as asas paternais de uma ditadura. É o que parece que queremos. Quando exigimos que o poder público coloque o Exército nas ruas para nos proteger dos nossos próprios fantasmas, estamos na verdade jogando nossa liberdade no lixo. Primeiro que essa não é a função dos militares, que deveriam estar fazendo coisas mais importantes do que vigiar nossas esquinas, como vigiar nossas fronteiras ou descascar batatas. Para vigiar as esquinas existem os policiais*. Quando assinamos um abaixo-assinado da associação de moradores do nosso bairro para botar guaritas nas nossas ruas, ou pior ainda, quando abaixamos a cabeça para milícias, organizações do crime organizado e afins, por um luxo que parece mais valioso que nossa simples liberdade de ir e vir (os famosos “gatos”), a gente joga tudo que conquistamos em matéria de liberdade – que já é pequenininha assim, ó – no aterro de Gramacho. Talvez não sejamos passivos, somos paliativos, isso sim. Ao invés de votar direito e depois cobrar direito pelas promessas que nossos amados políticos fazem nas eleições, o que é o de praxe numa democracia (ou teria que ser), nós apelamos para os santos, as igrejas, os bandidos, ao diabo, menos – adivinha? – aos nossos políticos. Pois então, amigo, antes de esbravejar que a cidade só tem jeito na base da porrada, pense bem no que fala, pois quando tirarem sua liberdade em prol da suposta segurança, não reclame.

*Alguns números, mesmo para quem é ruim de conta feito eu: no Rio de Janeiro existe uma média de 1 policial militar para cada 400 habitantes, enquanto em São Paulo, que é uma cidade maior que o Rio, há 1 policial para cada 434 habitantes, isto é, o negócio por aqui não é falta de policial, e sim o que esses policiais estão fazendo – o tal do “desvio de função”. Para maiores detalhes, leia no link que peguei no blog “Repórter de Crime”, de Jorge Antônio Barros:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/post.asp?t=coronel-jose-vicente-problema-do-rio-desvio-de-policia&cod_Post=143728&a=135

Afinal, Os Brasileiros Somos Passivos?


Central do Brasil, numa Sexta-Feira: Todos Indo Tomar um Méééééééééééé…

Uma dúvida persiste em ficar na minha cabeça nesse início de ano, graças a uma conversa com meu amigo Marcelo, que escreve (muito bem, por sinal) no blog Impostura: seria o brasileiro passivo? Eu realmente não sei muito o que pensar, mesmo que referências tanto para uma resposta positiva quanto para uma negativa existam aos montes. Marcelo disse que sim, que somos tão passivos que nossa independência política em relação a Portugal foi feita por um português – Dom Pedro I - e sem derramamento de sangue. Eu contraargumentei, com ressalvas, dizendo que nós estamos num momento de embriagez por conta da democracia, que nunca tinha sido tão abrangente, mas tão pouco valorizada. Disse ao Marcelo que o brasileiro só é engajado, ativo, quando a coisa está muito apertada para o nosso lado. E fiquei com essa questão na cabeça durante o resto do fim de semana. A primeira coisa que pensei, para tentar provar que o Marcelo estava generalizando um bocado, foi a seguinte: se quantidade de revoltas das classes menos favorecidas fosse motivo de uma atividade que visasse derrubar o status quo, a Jamaica seria um país de primeiro mundo. E todos nós sabemos que não é. A Jamaica foi a colônia mais rica do Império Britânico até o início do século XVIII, por conta da produção de açúcar, e, a exemplo do Brasil, onde tinha açúcar, tinha mão-de-obra escrava numa quantidade considerável. E na Jamaica eclodiram inúmeras revoltas de escravos. Isso porque não falei no Haiti, país dos “jacobinos negros”, que segue uma história ainda mais dramática. E tentei completar minha ideia pensando em movimentos de insatisfação ao longo de nossa história. Quebrei a cara. Digo, nem tanto, porque a minha ideia de que somos participativos quando a coisa começa a esquentar para nosso lado tinha procedência. Assim foi na própria independência, já que Dom Pedro I não a fez apenas por vaidade, e sim porque a classe dominante tupiniquim via seus privilégios comerciais, por conta da abertura do portos brasileiros às nações amigas (de urso, a Inglaterra), findando o pacto colonial, ameaçados. Assim foi também em nossa história recente com o movimento contra a ditadura, a luta pela anistia “ampla, geral e irrestrita” e as Diretas Já, nessa ordem cronológica.
Então meus amigos, pensei, pensei, tomei uma água, parei para respirar, pensei mais um pouco, e cheguei a uma conclusão pouco animadora, para mim e para meu amigo de letras Marcelo: somos um povo interesseiro, além de cordial. Já não basta o título de homem cordial, muito bem dado pelo grande Sérgio Buarque de Hollanda, de que o brasileiro é um homem que coloca o coração anos-luz a frente da razão, até quando precisamos usar a razão. Agimos quando nos interessa muito. Quando nos interessa, e digo mais, agimos de forma egoísta. Vejam os estatutos para idosos, crianças e adolescentes, de igualdade racial, que servem para nos separar ao invés de nos aglutinar sob as asas da nossa Carta Magna, ou as guaritas em bairros de classe média das grandes cidades, para dar proteção, ao invés de pedir mais competência às nossas autoridades, que por sinal, são eleitas por nós. Não precisei ir muito longe para dar exemplos. Você vê isso por aí. Aí vem a minha mente outra coisa que discuti com o Marcelo: nós estamos doidos para viver sob uma ditadura, isso porque ou a memória da ditadura ainda é muito recente, ou porque somos mesmo um povo passivo. Mas isso é coisa para outro texto.

Cacildis!


Os Trapalhões são os políticos, que tornam tudo - absolutamente tudo - mais difícil. Mas os verdadeiros palhaços somos nós, que aplaudimos cada palhaçada. Com uma comédia digna do Zorra Total, a gente vai rindo da própria desgraça.

Sim, estou profundamente amargo. Alguém tem um passaporte europeu para me emprestar?

Fâqui De Lól, Brazil!

No Brasil é assim: os poderosos não respeitam as leis porque pensam estar acima dele. Nós, as pessoas comuns, pensamos que só temos direitos, e não direitos E deveres. Alguém tem um trocado para eu comprar uma passagem para o Iraque?

Hipocrisia, Eu Quero Uma Pra Viver…

As mesmas pessoas que reclamam da falta de educação dos filhos das outras pessoas têm filhos tão - ou mais - mal-educados do que as outras crianças.

As mesmas pessoas que reclamam da segurança pública após um assalto são as mesmas que dão de ombros para as chacinas e massacres ocorridas nas periferias das grandes cidades.

As mesmas pessoas que dizem que o brasileiro é desonesto, no fundo faria tudo para levar vantagem sob qualquer circunstância.

As mesmas pessoas que dizem indignar-se com a corrupção dos maus policiais já deram um “arrego” para escapar daquela multa inevitável ou deram a famosíssima “carteirada” para fugir de uma agradável noite na prisão mais próxima de casa.

As mesmas pessoas que falam que todos têm que fazer o possível e o impossível para um mundo melhor, são as primeiras a dizer que fizeram o bastante e podem dormir tranqüilos, pois irão para o Céu quando morrerem.

As mesmas pessoas que ficam indignadas com a corrupção em Brasília são as mesmas a dizer que se estivessem no lugar desses maus políticos fariam o mesmo, já que – dizem por aí, dizem - por lá é inevitável a corrupção.

As mesmas pessoas que dizem que não tem preconceito são as primeiras a reparar no quanto o namorado da filha é “escuro”, ou que o vizinho é um pouco “alegre”.

As mesmas pessoas que falam da falta de atitude dos nossos jovens são as primeiras a cruzar os braços, já que “não se pode fazer mais nada”.

O Ministério da Saúde não precisa se preocupar mais com dengue, malária, AIDS ou qualquer outra doença transmitida por vírus ou bactéria. As nossas piores doenças são a passividade e a hipocrisia.

Poesia Numa Hora Dessas? (18)

Tem uns que esperam seu prometido desde os tempos bíblicos. Outros já tiveram o seu. Outra parte espera seu prometido vir de novo e acabar com essa palhaçada toda.

Outros acreditam em qualquer merda.

“A” Prometida

Que Ela venha sem barba
Deliciosamente Endiabrada
Amém!

Inspiração, Santa Inspiração!!!

A falta de inspiração é uma companheira constante na vida de um escritor. Não tem jeito. Um dia a dona Inspiração fala que não vai poder comparecer porque está com dor-de-cabeça ou porque está presa num engarrafamento-monstro. Então, resta ao escritor esperar por uma benção divina. Se ele não acredita nessas coisas, é nessas horas que ele passa a acreditar. Quer ver um escritor ateu se converter em dois segundos? Das duas, uma: ou ponha fogo na casa dele ou torça pra ele não ter inspiração.
É dura a rotina quando não se está inspirado. A gente fica revirando nossos pensamentos, tentando encontrar algo que preste. Revira, revira, e re-revira, e revira de novo. Não acha. Tudo bem. Já que cabeça vazia é oficina do Diabo, quem sabe ele não dá uma idéia dos infernos? Diante de um quadro tão desesperador, o escritor apela para tudo. E haja café. E haja cigarro. E haja insônia. E haja paciência. A caneta já passeou por boa parte do corpo do escritor: da mão para a boca, da boca para detrás da orelha, da orelha ela sai para coçar a cabeça, da cabeça volta para a boca, da boca vai acabar jogada num canto qualquer, porque ele está em vias de desistir. É um pobre coitado. Sem inspiração, sem dinheiro, mal lido, muitas vezes mal interpretado e na maioria das vezes mal amado, e ainda pode acabar doente por conta dessa maldita caneta.
Será que sai um poema? Não, não sai. As rimas deixaram um bilhete dizendo que foram ali na esquina comprar um maço de cigarro e voltam só daqui a seis meses. E uma crônica? De jeito nenhum. Dona Crônica, preguiçosa que só ela, está neste momento dormindo e se for acordada ela deixará de ser uma dama e acabará arrumando uma confusão daquelas dignas das mulheres barraqueiras. Será que não sai nada? Não sai. A Inspiração tem espírito de moleque, daqueles bem boca-suja e mal-criado. Agora, por exemplo, o escritor, completamente exausto, olha para um canto da sala e vê a Inspiração, rindo da cara dele e ainda fazendo aquele gesto brasileiríssimo da mão espalmada batendo na outra fechada. O escritor anda vendo muita coisa. Precisa parar de ingerir essas substâncias proibidas. Se ele é careta, é melhor procurar ajuda médica. Coitado. Está até tendo visões. Precisa mesmo é ter uma vida social, já que seus melhores amigos, uns escritores igual a ele, como Lima Barreto, Jorge Amado, Machado de Assis e outros estão meio… meio…meio… como posso dizer? Estão meio mortos para sair para tomar umas cervejas. É nessas horas que o escritor se entrega. O dia amanhecendo e o papel em branco. Então ele usa o último recurso, que todos os escritores odeiam usar, mas sempre usam, devido à falta de inspiração ou a uma ressaca: escreve sobre a sua falta de inspiração.

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