Cenas (In)Comuns, 2
- Para aÃ, cidadão.
-Â Quem, eu?
- É.
-Â O que houve, seu guarda?
- Deixa eu ver a documentação do carro.
- Ih, seu guarda, dá não.
- Por quê?
- Esse carro não é meu, é emprestado, e nem tenho carteira ainda.
-Â Que bonito, hein! Sai do carro! E essa lata de cerveja vazia dentro do seu carro?
- É, seu guarda, eu admito, eu tava bebendo enquanto bebia.
- E pelo menos a uns 30 km/h acima do permitido. Você gosta de confusão, hein garoto!
-Â Mas seu guarda, a gente pode resolver isso.
-Â Como assim, rapaz?
-Â Aceita um dinheiro para a cervejinha?
- Você está querendo me subornar, rapaz?
- Sabe, “subornar†é uma palavra muito forte. Diria que é uma “ajuda de custo†pelo seu trabalho bem feito.
- Você pensa que todos policiais são corruptos?
- Não é questão de corrupção, seu guarda, é fazer uma vista grossa. Me libera que prometo pro senhor que nunca mais sou pego numa blitz, não atropelo velhinha, nem xingo no trânsito.
- Rapaz, você ta fazendo um juÃzo errado dos policiais…
- Que absurdo, seu guarda! Você não vai aceitar suborno? Acho que isso vai custar seu emprego! No Brasil é quase como violar a Constituição! Chama seu superior que eu tenho uma queixa para levar a ele! Absurdo, não aceitar suborno, ainda mais no Brasil…
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