Archive for the ‘(falta de) Inspiração’ Category

Curso Básico de Educação, Segundo um Ogro - Capítulo 1

Nada vem me frustrando tanto quanto os dias que eu tento tirar um dia para mim. Como vocês já devem ter percebido, minha vida depois de entrar no magistério do estado do Rio de Janeiro virou uma bagunça, e olha que minha vida antes de eu entrar para o estado já não era tão organizada. Mas o lado positivo é que estou trabalhando no que gosto. Não posso reclamar muito. E nem estou reclamando do trabalho de professor, que confesso, é cansativo. Mas estou chateado justamente com os dias livres.
Não, eu não virei um workaholic. Muito pelo contrário. Eu tento trabalhar bem – e rápido! - para poder descansar o máximo de tempo que posso. E assim foi essa semana. Por uma série de fatores e coincidências, consegui um dia inteirinho livre. Livre mesmo. Sem nada para fazer. E pretendia aproveitar a oportunidade para dormir feito um porco obeso (mesmo sem saber como um porco obeso dorme). Pois é, PRETENDIA. Sabe quando as coisas tem tudo para dar certo e surgem coisas que tentam fazer que tudo vá por água abaixo? Foi exatamente isso que quase aconteceu. Quase. Quase porque tive que usar da minha ignorância para alcançar meus meios. E assim o fiz. Fingi que não escutei o que falaram comigo, desliguei telefone na cara dos outros, até gritei uns palavrões para pessoas que há muito tempo mereciam um coice daqueles. Sinto-me leve como uma pena, uma pena de 70 quilos. Agora sim sou um homem descansado. Tudo que um pouco de uma educação digna de um ogro não resolva. Agora me dêem licença, acho que vou dormir mais um pouquinho, porque amanhã o dia vai ser movimentado, e o ogro vai ter que voltar a ser um príncipe. Uma pena.

Eu e Meus Três Textículos

Enquanto a programação normal não volta por problemas técnicos, fiquem com meus três textículos, com trocadilho, por favor. Até quinta-feira tudo volta ao normal, se é que tem algo de normal nesse blog. Deliciem-se com meus textículos! Até.

Ou ainda Minutos de Sabedoria

Comparo o início de ano com a arrumação do meu quarto. Apesar de que eu arrumo o meu quarto com mais freqüência, umas duas ou três vezes por ano, o começo do ano é quando a gente coloca as coisas em ordem, para poder bagunçar de novo.

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Ainda temos que defender as diferenças. O mundo está ficando muito chato, está todo mundo ficando igual. Mesmas roupas, mesmas atitudes, mesmas palavras, mesma falta de educação, mesma mediocridade. Já dizia um professor meu que temos que defender que todos nós sejamos igualmente diferentes, ou diferentemente iguais. Iguais em oportunidades, em acesso a cultura, mas diferentes nas particularidades de cada um, que fossem respeitadas…Igualmente. Entenderam? Não? Nem eu.

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Tem vezes em que a vida é uma espécie de crime sem solução. A gente pensa numa saída, pensa mais um pouco, dá um tempo e pensa de novo e ainda pensa mais um pouquinho antes de dormir para tentar arrumar uma solução em meio a um beco sem saída, mas não acha. Feliz é quem tem idéias do nada, porque não gasta dias e noites pensando numa saída para algo que parece que não tem como fazer mais nada. Mas mesmo assim a gente vai pensando, mesmo que pareça sem solução. Vai que dá certo?

Inspiração, Santa Inspiração!!!

A falta de inspiração é uma companheira constante na vida de um escritor. Não tem jeito. Um dia a dona Inspiração fala que não vai poder comparecer porque está com dor-de-cabeça ou porque está presa num engarrafamento-monstro. Então, resta ao escritor esperar por uma benção divina. Se ele não acredita nessas coisas, é nessas horas que ele passa a acreditar. Quer ver um escritor ateu se converter em dois segundos? Das duas, uma: ou ponha fogo na casa dele ou torça pra ele não ter inspiração.
É dura a rotina quando não se está inspirado. A gente fica revirando nossos pensamentos, tentando encontrar algo que preste. Revira, revira, e re-revira, e revira de novo. Não acha. Tudo bem. Já que cabeça vazia é oficina do Diabo, quem sabe ele não dá uma idéia dos infernos? Diante de um quadro tão desesperador, o escritor apela para tudo. E haja café. E haja cigarro. E haja insônia. E haja paciência. A caneta já passeou por boa parte do corpo do escritor: da mão para a boca, da boca para detrás da orelha, da orelha ela sai para coçar a cabeça, da cabeça volta para a boca, da boca vai acabar jogada num canto qualquer, porque ele está em vias de desistir. É um pobre coitado. Sem inspiração, sem dinheiro, mal lido, muitas vezes mal interpretado e na maioria das vezes mal amado, e ainda pode acabar doente por conta dessa maldita caneta.
Será que sai um poema? Não, não sai. As rimas deixaram um bilhete dizendo que foram ali na esquina comprar um maço de cigarro e voltam só daqui a seis meses. E uma crônica? De jeito nenhum. Dona Crônica, preguiçosa que só ela, está neste momento dormindo e se for acordada ela deixará de ser uma dama e acabará arrumando uma confusão daquelas dignas das mulheres barraqueiras. Será que não sai nada? Não sai. A Inspiração tem espírito de moleque, daqueles bem boca-suja e mal-criado. Agora, por exemplo, o escritor, completamente exausto, olha para um canto da sala e vê a Inspiração, rindo da cara dele e ainda fazendo aquele gesto brasileiríssimo da mão espalmada batendo na outra fechada. O escritor anda vendo muita coisa. Precisa parar de ingerir essas substâncias proibidas. Se ele é careta, é melhor procurar ajuda médica. Coitado. Está até tendo visões. Precisa mesmo é ter uma vida social, já que seus melhores amigos, uns escritores igual a ele, como Lima Barreto, Jorge Amado, Machado de Assis e outros estão meio… meio…meio… como posso dizer? Estão meio mortos para sair para tomar umas cervejas. É nessas horas que o escritor se entrega. O dia amanhecendo e o papel em branco. Então ele usa o último recurso, que todos os escritores odeiam usar, mas sempre usam, devido à falta de inspiração ou a uma ressaca: escreve sobre a sua falta de inspiração.

Poesia Numa Hora Dessas? (6)

 

 

Inspiração

Haja paciência para te esperar!
Mais atrasada que relógio quebrado
E repentina como chuva de verão, Inspiração
Tu és cruel, muito cruel!
Sei que podes mudar o mundo
Mas não tire meu sono
Sei eu podes causar suspiros apaixonados,
Mas se eu não estou enganado,
Tu és teimosa como uma mula,
Mas a mula sou eu
Porque sou mais teimoso e te espero,
E espero, e…Espero.
Se paciência desse medalha
Eu seria campeão olímpico
Mas sei que um dia
Meu poema será seu melhor abrigo.
Se és tão bonita e perversa como uma deusa do Olimpo
Não faça da minha vida uma tragédia grega!

Rio, quatro de Abril de 2008

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