Archive for the ‘História’ Category

NadaCrônicas, 7

O ponto do busão é pra lá, meu filho.

Da Vez Em Que Encontrei Jesus

- Jesus?
- Sim, sou eu.
- Oi, meu nome é Flavio e vim do futuro.
- Como assim?
- Sei lá. Só sei que eu ia visitar o Papai Noel. Saí de casa, fui para um ponto de ônibus, então parei o primeiro ônibus que passou. Perguntei “Pólo Norte?” e o motorista respondeu “Méier”. Já que tudo fica para os mesmos lados da rosa-dos-ventos, entrei no ônibus. Só que acabei pegando no sono, e quando acordei estava aqui.
- Então você tem uma missão, meu filho. É coisa divina.
- Tenho não.
- Claro que tem! Você é um enviado dos Céus.
- Penso o contrário, mas tudo bem. Vou te avisar uma parada. Você fica fazendo milagre por aí, como andar na água, fazer cego enxergar, essas coisas?
- Sim, por quê?
- Cabeludo, pára com isso!
- Por quê?
- Os romanos já estão de olho em você…tem gente do seu povo que tem uma inveja danada de você, abre o olho, rapaz. Conselho de amigo.
- Mas eles não podem me crucificar por eu ser um iluminado, digo, O Iluminado.
- Podem, e vão. Vai rolar sangue.
- Como assim?
- Já te disseram que você faz muitas perguntas?
- Como assim?
- Você transformou água em vinho ontem e bebeu um bocado ou você é assim mesmo?
- Desculpa, é que estou meio confuso. Peraê, eu realmente transformei água em vinho ontem, como você sabe disso?
- É que já escutei umas histórias sobre você.
- Hum?
- Longa história. Daria um livro. Uma Bíblia, de tão longa que é essa história.
- Mas você vem de quando no futuro?
- Pouca coisa, dois ônibus, 20 quilômetros e 2000 anos.
- Tudo isso?
- É. Mas faz esse favor para mim, fica fazendo esses milagres na moita, escondido, porque isso vai dar problema para você.
- Mas caí nas graças do povo! É todo mundo é gente fina. Eles gritam meu nome.
- Gente fina que vai preferir um ladrão a você quando você for julgado. Guarde bem esse nome: Barrabás.
- Como assim?
- Jesus, é meio complicado eu explicar essas coisas todas agora…mas segue meus conselhos, para evitar problemas futuros, para mim e para você.
- Por que problemas? Como assim?
- De onde venho, mais ou menos nessa época a gente comemora seu aniversário.
- Que bom! Mas qual o problema disso?
- É que uma data que teoricamente seria de reflexão virou um inferno! É computador vendido em 482x com uns juros exorbitantes, é Papai Noel descendo de helicóptero no Maracanã, é briga no supermercado por castanha, é aquela música insuportável da Simone…é complicado, Jesus, muito complicado…
- Vou ver o que posso fazer, mesmo sem saber o que é supermercado, helicóptero ou Simone.
- Tudo bem. Nem eu sei te dizer o que é a Simone. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro!
- O 680 passa aqui?

De Volta Para o…Passado

O Rio de Janeiro está na sua Idade Média – ou das Trevas, com todo trocadilho possível. Já não basta a ignorância reinante, que não é privilégio da gente, o mundo todo está assim, e as verdadeiras batalhas campais que ocorrem algumas vezes por semana por aqui, capazes de fazer a Segunda Guerra Mundial ser apenas uma briguinha, ainda temos que viver em feudos. Sim. Feudos. Todos que são relativamente poderosos tem seu quinhão de terra: vereadores têm seus redutos, deputados também, traficantes, milícia…e por aí vai. Ou você e sua comunidade buscam proteção nessas figuras ou vai ficar desprotegido. Sem água, luz, gás, TV a cabo ou internet banda larga. Protejam-se!

Informática Também É História (Às Vezes…)

Mais uma da Série “O Que Eu Tenho a Ver Com Isso?”

Desenho antigo, datado do distante ano de 2003 D.P (Depois do Porre), encontrado em um sítio arqueológico no meu quarto, um Pentium MMX 233 Mhz, com 64 Mb de memória e 6 Gb de Hd.

Quer que eu desenhe?

P.s.: Aceito propostas pelo computador. Grato.

Sexo: Tô Dentro, Tô Fora, Tô Dentro, Tô Fora…

Atenção: Para ler este artigo, você tem que ter mais de 18 anos (ou mais de 18 centímetros). Portanto, se você não preenche nenhum dos requisitos, não feche essa janela. Leia mesmo assim. Nesse país ninguém respeita leis mesmo… Relaxe e Goze.

Fazer sexo é como descobrir a América. E não me perguntem de onde eu tirei essa idéia, porque eu juro que não sei, foi uma comparação que me pegou de assalto, do nada. Mas digo e repito: fazer sexo é como descobrir a América. Essa idéia pode parecer mais clara para quem está começando a vida sexual agora, ou a começou há pouco tempo. O iniciante, na verdade, é um desbravador, porque está penetrando (sem trocadilhos, por favor, o texto foi concebido no mau sentido) num mundo desconhecido agora. Claro, o iniciante, igual um desbravador, faz idéia do que pode encontrar, conhece todos os termos técnicos, mas na hora da verdade pode ficar tão perdido quanto Colombo, que morreu pensando que chegara nas Índias. Confesso, essa não é a melhor comparação possível para tratar desse assunto tão delicado, mas vou em frente.
Não só o sexo, mas o amor em geral é um território desconhecido. O sexo só é parte da materialização do amor, mas suas nuances são complicadas como regulamento de campeonato de futebol de várzea. O “fazer sexo” (para os mais românticos, “fazer amor”) é uma das maneiras de desbravar o amor. É para conhecer o amor a fundo. Para o flerte a gente já usa e abusa de odores, olhares e até do paladar, isso se a pretendente não estiver de dieta e gostar de ganhar uma caixa de chocolate de vez em quando. Mas no sexo esse exagero nos sentidos é elevado ao quadrado, principalmente o tato (nem o paladar escapa, mas para isso você tem que ter chantilly e não estar de dieta), que fica aguçado e cada toque é uma provocação.
O colonizador europeu teve que dominar os povos nativos e entrar em matas outrora virgens para achar alguma prova de que a lenda do Eldorado era verdade. O amor (que se estende para o sexo) é quase isso, com pequenas diferenças. Só que quem tem a palavra final sempre é a mulher, porém quanto mais a mata for podada, melhor (só que as matas hoje em dia não andam lá muito virgens) e é importantíssimo você saber onde fica o Eldorado, para evitar reclamações.
Até Colombo pensou em desistir, porque a viagem para chegar às Índias via oeste era uma viagem ao desconhecido, porque nem ele, nem ninguém tinha feito a tal viagem. Amar é viajar ao desconhecido e o corpo do outro é só parte desta viagem, que, não adianta, não tem mapa para nos guiar. Então, por mais que pareça complicado – e é, temos que nos arriscar. Arriscar-se, neste sentido, não dói, a menos que você seja sadomasoquista. A gente tem que seguir o exemplo de Colombo, só que com um pouco de moderação. Para o bem da espécie.

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