Archive for the ‘(in)Utilidade Púb(l)ica’ Category

A Era do (Enxugar) Gelo

Desde que me entendo por gente é assim: se um problema exige uma ampla discussão, reformas, mudanças de atitude e outras coisas que não são nada fáceis de fazer aqui no Brasil, sempre existe a nossa disposição para fazer o possível. O possível para fugir disso tudo, claro. É assim com a reforma agrária, a reforma política, judiciária e outras reformas tão importantes quanto as acima citadas. Tento acreditar que não somos passivos, pois as pessoas que morreram por um mínimo de justiça (seja nos porões da ditadura, na luta contra a escravidão, por justiça social ou por qualquer coisa que valha a pena) não merecem isso. Contudo, nosso hábito de reclamar dos nossos problemas, mas no conforto dos nossos sofás (aonde mais poderia ser, na Candelária? Em Brasília? Duvido), me faz ficar cada vez mais descrente.
E essa prática muito antiga de fugir de discussões fundamentais nos fez, ao longo desses mais de 500 anos de Pindorama, especialistas na não menos milenar arte do “enxugar gelo”: se a polícia prende os traficantes mais perigosos, no lugar deles surge mais uma imensidão de novos chefes do tráfico, sem contar a frouxidão das nossas leis, que fazem monstros (assassinos, sequestradores, traficantes ou os que reúnem todos esses “talentos”) terem direito a um pouco de liberdade ao cumprirem 1/6 da pena; se há cotas para os mais desfavorecidos nas faculdades, não há uma discussão séria e profunda a respeito da qualidade da nossa educação; se um político tem seu mandato cassado por corrupção, outras centenas continuam impunes, desde que Cabral pisou na Terra dos Papagaios. Tudo isso faz vir a minha cabeça aquele ditado de “cobrir a cabeça e descobrir os pés”.
E assistimos os absurdos calados e felizes por não terem nos tirado o carnaval e a cerveja do fim-de-semana (ainda!). Os poucos corajosos que remam contra a maré ainda lutam, mas nem Deus sabe até quando essa persistência (ou mesmo teimosia) existirá.
E mais: se o governo quisesse escolher um novo nome oficial e um slogan para o Brasil, minha opinião seria: República Paliativa do Brasil, o país da era do (enxugar) gelo.

Eleições 2010

Como vocês bem sabem (a menos que morem numa caverna), esse ano temos eleições. Duas coisas vem me chamando a atenção há um bom tempo a respeito da contenda eleitoral, e uma coisa acaba puxando a outra. Primeiramente, os “limites” das nossas opções, principalmente na escolha do candidato a presidente. A imprensa vem colocando na cabeça dos mais desavisados a impressão de que as eleições presidenciais tem apenas três candidatos, que eles veiculam largamente. O primeiro problema mora aí. Justo a imprensa, que quando se sente ofendida com uma medida mais dura contra ela (como aquela confusão do fechamento do canal de televisão na Venezuela), diz que os supostos governos ditatoriais a estão impedindo de levar informação ao povo, já que informar é a sua função. Eu só queria saber onde foi parar esse discurso lindo e idealista que os veículos de imprensa vez ou outra usam para mascarar seus verdadeiros interesses, que, na verdade nua e crua, é o de perpetuação de uma minoria no poder. É inspirador ler os slogans dos principais veículos de imprensa do país e depois ver as coisas que eles escrevem, é um exercício contra a falsidade. Temos que abrir o olho, pois eles não estão defendendo nosso direito à informação, e sim aos seus próprios interesses, como qualquer grande corporação faz desde que o mundo é mundo.
Posto isso, temos como conseqüência um esvaziamento da discussão eleitoral, já que parece (parece, hein!) que o número de candidatos é muito restrito e não há muita alternativa além deles. Com isso, a imprensa (novamente ela!) tenta de todas as formas polarizar a discussão eleitoral, como se os dois candidatos mais falados apresentassem propostas tão diferentes umas das outras. A verdade é que, graças ao PT no poder nesses últimos anos, podemos ver que tanto PT quanto PSDB são farinha do mesmo saco, tal qual Republicanos e Democratas nos Estados Unidos. Dizia um professor meu dos meus tempos de escola que o Brasil só teria alguma chance de mudar com o PT no poder. Oito anos se passaram e acho eles iguais a laia do FHC. Mesmo que insistam que há uma “terceira via” representada pela candidata do PV, infelizmente não a vejo como a candidata que “é contra isso tudo aí” Por mais que seu histórico seja brilhante, não me empolguei com ela e suas propostas.
E lá vamos nós para mais uma eleição que de novidade não há muita coisa. Estão querendo matar o tal do voto ideológico a todo custo (e estão conseguindo, isso é o mais triste), até porque a ideologia dos partidos está mais para ganhar o máximo de dinheiro possível do que promover a igualdade social e acabar com outras inúmeras mazelas. Por mais que cada vez mais se fale (vagamente, é verdade) em voto consciente, vem a imprensa e faz esse jogo todo para manter os mesmos no poder. É melhor assim. Para eles, claro.

Flavio Responde 4

Depois de duas semanas gozando de férias em lugares sensacionais nos arredores de Paris (a avenida em Bonsucesso) e Londres (a escola municipal no Engenho de Dentro), o dever enfim me chamou de volta a altos brados. Apesar de contrariado, estou de volta ao batente. E para coroar esse retorno, nada melhor do que um Flavio Responde, sobre educação e formação profissional. Essa dúvida é especial por conta dos meios que ela me chegou, através de uma carta social (aquela que custa r$ 0,01). Vocês podem imaginar minha surpresa, já que os Correios só me mandam processos, contas e cartas-bomba. Sem mais delongas, vamos ler a carta:

“Oi Flavio, tudo bem? Eu queria que vosse me respondeçe sobre formassaum proficional. Eu não gosto de estuda axo coisa de gente fresca mais eu axo muito legal quano as pessoa me fala que tão tudo na faculidade, fazeno direito medicina essas coisa de dotor. Queria saber de vosse que é profeçor se eu tenho condissaum de fazer uma faculidade mesmo sem gosta de estuda. Abraço!”

Wandyrnercleisson, Rio de Janeiro.

Meu caro amigo da carta social, claro que é possível! Hoje as instituições acadêmicas pouco se preocupam com o que tem na cabeça de seus alunos. O importante é que você pague a mensalidade em dia (não sei porque, mas desconfio que você não passaria numa “faculidade” pública nem nascendo de novo, e receio que as particulares também não te aceitem, mas…), isso basta. Mesmo que você não consiga pelo caminho normal de fazer uma faculdade, há uma alternativa. Seu caso me lembra de um conhecido que era burro feito uma porta (feito você, olha que legal), mas mesmo assim, conseguiu fazer não só uma, mas três faculdades, com as próprias mãos e suor! Hoje ele é um respeitabilíssimo Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (traduzindo, assistente de peão de obra). Podemos dizer que ele construiu o próprio caminho tijolo por tijolo e ainda o cimentou, talvez seja mais a sua. Mesmo sem gostar muito de estudar, você pode fazer faculdade de uma maneira ou de outra, você escolhe, guerreiro! Abraço!

Toda Poética de Pegar Um Busum no Rio

bus-copy

Tira afanada descaradamente do ótimo Ryotiras (www.ryotiras.com)

Desde pequeno pego ônibus. E não é que eu ame andar de ônibus, eu, obviamente, me acostumei em ir aos lugares de ônibus (eu sei, eu sei, ser pobre é uma desgraça). Como tudo tem seu lado bom na vida (até pegar ônibus, desde que não seja o lado do ônibus em que o sol esteja castigando), até que é divertido. Ver as paisagens, os contrastes da cidade, as moças bonitas (e as que não são bonitas também, coitadas!), as pessoas com seu vai-e-vem normal de uma cidade grande, essas coisas. Eu sei, é uma visão meio poética. Mas vocês se enganam se acharem que eu só sou elogios aos ônibus cariocas.
Para começar, o preço do ônibus. Tem horas em que penso que eles tinham que cobrar metade da passagem, porque os anos passam e os ônibus diminuem de tamanho e o número de passageiros só aumenta. Então imaginem, três pessoas num lugar onde cabe uma. Uma criança, das pequenas, naturalmente. Ainda tem os motoristas que fazem do simples ato de pegar um ônibus um esporte olímpico. Se Usain Bolt fosse carioca, ele faria os 100 metros em seis segundos, porque os motoristas, imbuídos do espírito de deixar o carioca em boa forma, param o ônibus um pouco à frente dos pontos de ônibus. É coisa pouca, uns 50, 100 metros. E todo mundo sai correndo atrás do ônibus, seja jovem, idoso, cadeirante ou perneta. É muito bonito ver essas pequenas coisas na nossa rotina une pessoas tão diferentes. E é a maior felicidade quando esses ônibus fazem um favor a esse povo todo e param, porque desconfio que as empresas de ônibus devem oferecer prêmios para o motorista mais rápido do dia, e o prêmio deve ser muito bom, já que todos estão imbuídos deste espírito meio Fórmula Um.
Mas, mesmo assim, pagando o preço de andar num ônibus de primeiro mundo e se sentir não raro num pau-de-arara, até que andar de ônibus tem algo de bom, só que eu, infelizmente, ainda não descobri bem o que é. Só sei que para quem não tem sua própria Mercedes, tem que se contentar em pegar a Mercedes coletiva. Paciência, baixa renda!

Saudades do SPC…

“Quem já esteve na lista negra do SPC?”, pergunta a professora para sua turma do jardim de infância.

É impressionante a ânsia dos bancos em ganharem dinheiro, eles querem que você se afunde em dívidas eternas com eles, independentemente de você ser um notório devedor ou se você tem uma austeridade financeira de um ministro da Economia num governo do PSDB. Se você já está afundado em dívidas com eles, eles mesmos tratam de fazer você vender até as calças que veste, já que eles insistem em te mandar mais um cartão que te oferece várias vantagens, brindes, prêmios, prostitutas russas de luxo e outras coisas que você tem a esperança de ganhar (além de mais uma dívida) ao aceitar mais um cartão de crédito VIP Mothafucka Titanium Golden. E, você, inocente que é, cai nessa armadilha.
Aprendida a lição, depois, obviamente, de parcelar aquela fatura - que faria a dívida de um país em desenvolvimento ser comparada com uma pindureta no bar da esquina - em prestações a perder de vista, você promete que vai controlar seus gastos, vai economizar um dinheiro para o caso de uma necessidade. Só que o que você pensa ser uma solução acaba sendo um problema, pois o banco sabe que você está deixando uma reserva de dinheiro na sua conta e virou um bom pagador. Quando você menos espera o banco está te procurando para te oferecer mais um cartão de crédito, um plano de capitalização, até plano funerário. É tudo uma maravilha, é tudo muito bom, e a gente chega à conclusão de que é difícil resistir ao canto da sereia do SPC.
Por essas e por outras que vou guardar meu dinheiro no colchão.

Flavio Responde 3 - Especial Copa do Mundo!

Essa semana chega uma pergunta muito interessante e de uma pessoa especialíssima, da minha amiga Thaynan, namorada de um dos dois melhores guitarristas da minha banda, o grande Felipe, o Van Halen de Quintino. Vamos ver qual a dúvida dela:

“Você podia fazer um Flavio Responde especial para a copa do mundo. Tipo, como assistir aos jogos da copa com namorado e amigos, participar de tudo e não se passar por analfabeta futebolística!! hahahaha…
Beijos!”

Thaynan, Rio de Janeiro, RJ

Muito legal, Thaynan! Como vocês mulheres devem saber, a hora em que o homem está assistindo futebol é uma das coisas mais sublimes da nossa existência. E a Copa do Mundo para um homem é como fazer a trilha de Santiago de Compostela, peregrinar a Meca, ou estar trancado num quarto com gêmeas russas dispostas a fazer tudo que pedirmos. É algo que transcende. Cabe a vocês, mulheres, respeitar esse momento mágico na vida de um homem. Algumas coisas merecem ser lembradas para que vocês respeitem nosso momento e que não encham nosso saco durante este momento sagrado da existência de um homem. Vamos primeiro as dicas para vocês entenderem o jogo, antes de tudo:

1.    O sujeito de preto com um apito não pode fazer gol.
2.    Os dois sujeitos que ficam nas laterais do campo não estão com aquela bandeira torcendo para nenhum dos dois times.
3.    Eles também não torcem para o sujeito de preto com apito.
4.    Os sujeitos que estão pegando a bola com a mão não são do contra, é a função deles defender o gol.
5.    O Flamengo não está na Copa. Na Copa só participam países, apesar de alguns apresentarem um futebol de quinta categoria. Times de quinta categoria como o supracitado não jogam a Copa do Mundo.
6.    O Botafogo também não participa. Nem o Vasco, o Fluminense, o Barcelona, nem o Raio Que O Parta Futebol Clube.
7.    Falta é quando acontece uma jogada mais perigosa, que possa machucar algum dos jogadores.
8.    Escanteio é quando a bola toca em alguém do time que está defendendo. Tiro de meta é quando não toca.
9.    Lateral é quando (olha só que novidade!) a bola sai – adivinha? – pelas linhas laterais.
10.    Impedimento é uma coisa que o trouxa do seu namorado (assim como qualquer outro homem, inclusive este que vos fala) sabe exatamente quando acontece, mas ele não vai conseguir te explicar de uma forma que você entenda. É como se pedíssemos para vocês nos explicarem a graça da novela das 9. Só concorde com ele quando ele reclamar que o cara está (ou não) impedido.
11.    Gol é quando a bola entra naquele retângulo com rede.
12.    Gol de mão não pode.
13.   Qualquer dúvida que não esteja esclarecida aqui você pode considerar como resposta “Porque é assim” ou ainda a mais rebuscada “Sei lá, e vê se pega uma cerveja para mim, mulé!”.

Agora vou listar algumas coisas que vocês não podem fazer durante um jogo, sob nenhuma hipótese:

1.    Passar na frente da televisão.
2.    Fazer perguntas difíceis, como “Você me ama?” ou “Se eu pedisse para você escolher entre eu ou o futebol, o que você escolheria?”, a menos que você esteja preparada para respostas desagradáveis.
3.    Já falei, o Flamengo não participa da Copa do Mundo!
4.    Perguntar o que é impedimento.
5.    Falar que o Kaká ou o Cristiano Ronaldo são umas graças. Estamos pouco nos importando com isso. Guarde essa opinião para você.
6.    Falar que vai torcer para um país porque o uniforme dele é bonitinho.
7.    Perguntar qual é a graça de assistir um Argélia contra Eslovênia.
8.    Perguntar qual é a graça de assistir um jogo entre outras seleções que não sejam o Brasil.
9.    Perguntar qualquer coisa. Fique calada e deixa a gente assistir Argélia e Eslovênia.
10.    Já te falei, o Botafogo também não está na Copa!
11.    Pedir para trocar de canal porque está passando uma fofoca quente na Sonia Abraão.
12.     Não, não sei quem é Sonia Abraão. Nem Nelson Rubens, nem Revista Caras. Pode até perguntar quem é Felipe Melo (e a resposta provável será “um perna-de-pau que joga no Brasil”), ou alguma coisa que tenha saído no Lance ou na Playboy.
13.    Pensando bem, não pergunte nada. Fique calada e deixa a gente assistir Argélia e Eslovênia.
14.    Já te disse, o juiz não joga.
15.    Em caso de dúvida não esclarecida, fique calada e deixe a gente assistir Argélia e Eslovênia.

Espero que essas dicas tenham alguma valia, Thaynan. Qualquer dúvida, fique calada e me deixe assistir Argélia e Eslovênia, digo, escreva novamente. Abraço!

Morando em Atlântida Você Sabe Como É…

É notório que o Rio de Janeiro para até com um chuvisco de três minutos, mas não lembro de uma chuva ter causado tanto estrago. Nem minha mãe se lembra, e olha que ela tem mais de 30 anos de Rio. Quando digo que estou me sentindo o Aquaman não é brincadeira. O Rio ainda está debaixo d’água. A chuva veio como quem não quer nada no início da tarde da segunda-feira e só agora, fim da manhã e início da tarde de quarta-feira que a chuva parou por um período maior que dez minutos.
Quanto a essa história, todos já conhecem: um rastro de destruição, engarrafamentos, os transportes públicos (que já não são essa beleza toda em dias normais) funcionando precariamente, vidas perdidas, e por aí vai. A primeira coisa que pensamos é colocar a culpa no poder público, até porque é sabido, por exemplo, desde do tempo que se amarrava cachorro com linguiça, que a Praça da Bandeira vira um autêntico piscinão nos dias de chuva um pouco mais forte. “Culpa do governo!”, bradamos todos. Sim, ele tem uma carga enorme de responsabilidade, já que boa parte das medidas ou não saem do papel, ou são eleitoreiras, ou paliativas. O poder público tem que zelar para o bem comum, mas este é usado a exaustão em prol de projetos particulares de nossos políticos e afilhados políticos. Mas temos culpa, e muita. Estamos muito longe de sermos as vítimas dessa história.
A começar, pela nossa educação. Não a educação de cadernos, livros, escola, diploma – é muito fácil colocar a culpa no professor, não é? -, mas a que nós damos e recebemos em casa. Lugar de lixo é no lixo. Ponto. Se você tem o mínimo de senso de higiene, você não sai jogando lixo na sala de sua casa, por exemplo. A cidade (o país, o mundo!) é uma extensão da nossa casa, temos que prezar pela organização do espaço público como prezamos pela organização de nossas casas. Não ache que aquele papelzinho de bala não faz mal algum, porque se ele não faz mal, coisas um pouco maiores, e coisas um pouco maiores que essas um pouco maiores que papel de bala também não vão fazer estrago se jogadas na rua. Mas vemos que não é assim.
Nossa consciência política também conta. Vamos tentar votar em quem tem idéias boas E possíveis. Megalomaníacos fizeram as besteiras deles para colocar seus nomes na posteridade, superfaturaram obras, e estamos aqui, a Deus-dará, debaixo d’água, chorando pelo prejuízo material, pessoal e/ou sentimental. Votar em quem é mais bonitinho, ou em quem rouba menos nos leva a isso. Os políticos corruptos são o nosso espelho. Eles mandam e desmandam em causa própria porque somos covardes. Todos falam que precisamos mudar o Brasil, que “este país está uma vergonha”, e quantos estão nas ruas batendo panelas contra os Maluf, os Garotinho, os Sarney da vida? Quantos de nós se importam (e até se engajam, vejam só!) com quem vota no BBB e só decidem votar em fulano e sicrano nas eleições na última hora, mal sabendo o nome do sujeito? É como diz minha amada mãe: “aos porcos jogamos lavagem”. Sim, somos porcos, de dar nojo. Reféns de demagogos porque deixamos, nos acomodamos a ter pouco – Isso quando temos! – e até fazemos graça da nossa desgraça. Mudar o nosso destino dá trabalho, não é?
E posso prever, mesmo sem ter poderes mágicos ou paranormais, toda a comoção e trabalho que o sofrimento alheio vai nos proporcionar, faremos campanhas de doação de roupas, alimentos, remédios (o que não é errado, muito pelo contrário, é o mínimo que podemos fazer), mas daqui a duas semanas ou menos, quando tudo voltar ao normal, quando a água baixar, vamos esquecer de tudo, desde a comoção, passando pela educação, até as cobranças ao poder público. Isso até a tragédia bater na nossa porta de novo.

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