NadaCrônicas, 2
A Primeira…
Antes dela eu nem sabia escrever direito. A minha letra continua ilegÃvel, mas um sentimento nunca tinha sido tão claro para mim. Tão claro para mim, mas tão secreto para o mundo. Minha primeira paixão platônica, eu me lembro muito bem. Todos os dias eram de um céu azul com um sol a aquecer meu coração, igual aqueles desenhos que eu fazia no jardim de infância. Bons tempos. Seria melhor se ela soubesse que eu gostava tanto dela.
…E a Última Paixão Platônica…
Tudo que eu queria agora era não saber escrever e ter coragem para cortar meus pulsos. Covarde. Minha última paixão platônica, eu me lembro muito bem, mas tudo que quero é esquece-la. As noites são intermináveis, a comida não tem o mesmo sabor e a rejeição dói como operação de Ponte de Safena sem anestesia. Todos os dias são de um céu plúmbeo que insiste em chover apenas em mim, igual às músicas depressivas da nossa crise da adolescência. O tempo é o melhor remédio, tomado sem prescrição médica, em doses cavalares e com tarja preta. Seria melhor se eu fosse um cafajeste. O amor, crianças, é amargo! Amargo!
