Archive for the ‘Política’ Category

Mais Uma Vez, O Mesmo Papo de Sempre…

Tenho certeza absoluta que as opiniões que mostro por aqui estão muito longe de serem novidades, até porque nunca pretendi descobrir a roda ou o fogo. Mas tem coisas que são engraçadas: a medida que elas são repetidas, elas cada vez mais são esquecidas. E assim é com a nossa política, que é apenas uma espécie de microcosmo da sociedade brasileira, que prega o bem estar do indivíduo, mesmo que tenha que pisar em outras pessoas para alcançar o topo. De nada adianta reclamarmos que os políticos são isso ou aquilo se nós somos os verdadeiros calhordas. Quanto a eles, eles são apenas reflexos da sociedade brasileira, com poder de fazer praticamente o que bem entendem e sem temer uma punição, pois o próprio sistema – jurídico, eleitoral, entre outras esferas - os ajuda. Ainda bem que ninguém me pergunta o que vai acontecer, porque penso que mais uma vez – e infelizmente é uma coisa que durará muito tempo – vai acontecer absolutamente nada. Vão pegar os peixes pequenos para dizer que a impunidade não venceu, mas a impunidade vem vencendo desde que Cabral pisou na Terra dos Papagaios. E não importa a maneira de carregar o dinheiro, seja malote, carta, pombo-correio, aviãozinho de papel, mala, cueca, meia. Se nós não repensarmos o que queremos para o Brasil, ao invés de que esperamos do Brasil, a coisa vai ficar do jeito que está, porque pior não tem como ficar.
E parece que está meio fora de moda fazer pressão nos políticos, até porque manifestações minimamente sérias não parecem com a balada do fim de semana.
Ano que vem tem eleições. Haja paciência.

Record, Globo, Igreja Universal, Justiça…

Essa guerra entre a Record (e a Igreja Universal) e a Globo, que ganhou as manchetes nas duas últimas semanas tem umas coisas engraçadas. Penso eu que se a Universal não tem nada para esconder, então que prove que a Justiça está errada. Com provas, e não com ataques. Penso que se a Universal baseasse sua defesa em provar que o bispo Edir Macedo e as outras pessoas da Universal que são acusadas pela justiça são inocentes com provas, e não com ataques à Globo e à justiça, seria suficiente. Mas não, preferiram tomar um rumo que duvida da inteligência de qualquer pessoa, ou seja, não rebate as acusações. Ao invés disso, atacam a Globo (que está fazendo seu papel de imprensa, e mesmo sabendo que a imprensa não é imparcial, ela defende seus interesses, seja da briga de audiência ou algo parecido, mas sei que qualquer meio de comunicação minimamente ameaçado faria o mesmo) e a justiça. Ninguém – eu disse ninguém – duvida da fé dos evangélicos ligados à Igreja Universal, ninguém colocou em xeque a religiosidade dos evangélicos – não diretamente, pois sabemos que os evangélicos são perseguidos, sim -, mas a Record tomou esse caminho de deixar de rebater as acusações com provas e faz sua defesa atacando meio mundo. Ora, se as acusações são tão absurdas, porque não provam?
E mais:
a Globo não é uma instituição isenta, muito pelo contrário. Apoiou a ditadura militar, manipulou o debate entre Collor e Lulla em 89, é tendenciosa ao extremo, e está ligada a muitas coisas que fazem do Brasil um antro de gente preconceituosa e ignorante. Se o Inferno tivesse seu veículo de imprensa na Terra, a Globo seria sua filial, em suma. Mas as reportagens da Record atacando a Globo são de um mau gosto tremendo. A entrevista com Edir Macedo foi umas das mais chapa-branca que vi nos últimos anos. A Record tem muito, mas muito que aprender em matéria de vilania com a Globo. E nessa brincadeira ninguém vai para o Céu.

NadaCrônicas, 12

Quer Meu Charuto, Companheira?

- Olá, companheira.
- Companheira de quem? De você, barbudo?
- Claro, por quê não?
- Mas nem te conheço.
- Meu nome é Lenin Stalin Mao Marx Engels Guevara-Castro, mas pode me chamar de Flavio.
- Você é muito estranho. Você é um daqueles fãs malucos do Los Hermanos, não é?
- Não, meus hermanos são outros. Tem o Chavez, o Morales, Correa, Noriega…
- Quem?
- Não importa. Estou aqui por uma nobre causa.
- E qual seria esta nobre causa?
- Quero que você divida seu latifúndio comigo. É rapidinho, dois minutos, juro.
- O quê? Sabia que tenho namorado, e ele é faixa preta de caratê?
- Poxa, companheira, fala para ele que ele tem que dividir o que ele tem sobrando com os menos afortunados. Abaixo ao monopólio! Viva a ditadura do proletariado!
- Não o nome dele não é Monopólio, é Valdemar. Um loiro alto, olhos azuis, lindo.
- Yankee!
- Não, é Valdemar.
- Neoliberal estadunidense, sabia.
- Não, ele é de Cascadura, mesmo.
- Bem, isso não importa. Meu papo é com você. Quero te mostrar a força do meu operariado, se é que você me entende.
- Sabia que você é muito insistente?
- Mas temos que ser insistentes para alcançar a revolução, ou o par de peitos mais próximo, tanto faz.
- Você é um grosso, sabia?
- E você é uma pobre vítima do capitalismo selvagem estadunidense, que pode até calar as nossas vozes, mas ele sabe que nunca vai se livrar da revolução, pois a revolução está escondida em cada gueto, em cada lugar onde a injustiça impera, esperando uma chance para se levantar contra o sistema neoliberal…
- Nossa.
- O que?
- Suas palavras. Foram profundas. Eu acho que vou te dar uma chance.
- Eu sei, aprendi quando passei um tempo em Havana.
- Com Fidel?
- Não, com companheira Maria Del Barrio, uma moça da vida. Muito profunda. Ou pelo menos algumas partes do corpo dela eram profundas, que seja. Endurecer, sim, perder a ternura, jamais!
- Posso te fazer uma pergunta?
- Uhum.
- Se você é comunista, então significa que você vai me dividir com seus tais companheiros?
- Claro que não. Só se o Partido Comunista da União Soviética me pedir.
- Mas a URSS não existe mais.
- Por isso mesmo, não quero correr perigo.

O Rio Perdeu Mais Um Carioca

Eu, pelo menos até o final deste texto, queria deixar de lado esse Rio de Janeiro de hoje, caótico, com violência, transito, favelização crescente, pobreza e outras mil mazelas, mas sei que não conseguirei. Mas arrisco. Quero relembrar o Rio de Janeiro de ontem.E meu ontem é ontem mesmo. Eu sou cria do subúrbio carioca. E até dez, 15 anos atrás por aqui, no subúrbio, se via as crianças jogando bola nas ruas, os mais velhos conversando nos portões com os vizinhos, os casais de namorados nas praças do bairro, o cheiro do pastel vendido nas feiras livres, dos clubes de bairro, as festas de rua no carnaval e na festa junina (ainda que já meio descaracterizada, tocando funk a noite toda) e outras coisas que sinto que perdi. Digo, não só eu, como toda a população do subúrbio carioca.Não, eu não sou tão velho assim. Eu tenho 22 anos. Mas ainda vi e vivi muita coisa boa nos subúrbios cariocas que, infelizmente, não vemos mais. Hoje não vejo mais nada disso, infelizmente. As ruas do Engenho de Dentro que eu cansei de andar tarde da noite sem preocupação nenhuma hoje estão entre as mais perigosas do Rio de Janeiro. As fábricas que eu sempre via no caminho quando ia visitar meus parentes no Jacaré ou no Morro do Adeus hoje são depósitos abandonados. Os lugares onde passei minha infância no Méier não existem mais. Até a rua outrora tranquila no Encantado onde morei dos sete aos 18 anos não é mais a mesma, provavelmente é reduto de mais uma facção criminosa ou de uma milícia. Nos cada vez mais distanes anos 1990 até existia violência, abandono e essas mazelas todas que vemos hoje. Para a economia brasileira, foi uma década de recuperação, mesmo que o bolo dessa recuperação não tenha sido dividido até hoje, mas as coisas estão cada vez mais difíceis. Num lugar onde temos mais medo da própria polícia, que por ser autoridade, se acha acima da Lei, ao invés de protegê-la, uma população chora suas pitangas e não é escutada - se é que algum dia foi. Se o pessoal da Zona Sul está pedindo isenção de IPTU por ter passado uma semana repleta de violência, imagine nós, que estamos abandonados a própria sorte há tempos, onde as ruas não tem nem iluminação pública adequada e vivem esburacadas e a mercê de políticos oportunistas.Neste momento eu choro por dentro. Choro porque sei que as coisas eram bem melhores, e nem eram tão boas assim. O Rio de Janeiro perdeu mais um carioca, e não porque ele morreu vítima da violência. O Rio de Janeiro perdeu mais um carioca porque estou com meu coração partido. O Rio de Janeiro sempre será a Cidade Maravilhosa, mas cada vez mais para esse caos só existem duas saídas: ou o Galeão ou o Santos Dumont.

O Maia, a Mídia e o Choro

Atenção: Cedi este espaço do meu blog para meu grande amigo Vinícius, que escreveu um texto que tem a ver com uma das maiores mazelas por qual nossa cidade passou nos últimos anos, a administração do excelentíssimo Senhor Cesar, O Maia, e principalmente seu filho, que parece que aprendeu algumas coisas da política tupiniquim com seu velho. Sem mais. O Vinicius pode dizer melhor que eu. Fala então, Vinícius!

A mídia é um instrumento de manipulação de classe, que por vezes tem o papel de criar figurões. Um dos últimos a sair das sais da mamãe mídia foi Rodrigo, O Maia. Nosso querido filho do império desmoronado do Rio de Janeiro, construído por César, não aquele de Roma, mas o Maia. Nosso garotão, que hoje já é deputado, tem aparições na mídia mais freqüentes do que as narrações do Galvão Bueno e do que os selinhos da Hebe.
Mas o que mais se pode falar dele, além de ser filho de César (Ave!)? Não me recordo de projeto, emenda, ou proposta criada por ele; somente as que atacam pessoalmente o governo, numa tentativa de mais uma promoção midiática. Não me recordo de nenhuma declaração sua a respeito de seu correligionário do castelo de R$ 25 milhões. Mas vale lembrar que os figurões adoram serem usados pela mídia.
Segue sua última aparição santo-midiática: a grande média, digo mídia, lançou uma declaração sua a respeito do encontro dos prefeitos em Brasília, organizado pelo governo Lula. No evento, existe um pôster do presidente e da ministra Dilma, onde os prefeitos podem tirar fotos. Nosso ilustre parlamentar acusou o Lula de já estar em campanha, quando o correto seria apenas o da pré-campanha(?).
Cabem duas perguntas ao nosso menino prodígio: o que difere a campanha da pré-campanha? E mais: existe algum político que em determinado momento de sua carreira não se encontre em campanha?
Qual é a maldade que se encontra por detrás desta fala difundida por nossa ferramenta condutora de bois? O cerne da questão são os “Democratas” aumentarem seu espaço político perdido da época da ditadura, através dos ataques ao governo. Resumindo: na arena da política, o que importa ao DEM é tombar o PT do poder. Se as propostas do Lula tem qualidade, ou não, isso já não importa.
Com isso, os “Democratas” não aceitam a posição privilegiada de quem está no poder. Acusam o Lula de estar em campanha, mas não estariam em campanha também, Rodriguinho, O Maia; José Serra; Aécio Neves… e outras figuras, utilizadas pela mídia para combater o governo? Existe algum outro sentido nas declarações do parlamentar que não seja a de ganhar espaço na mídia para fazer sua campanha?
Que siga a mídia criando os seus figurões filhos da ditadura para confrontar com o governo em 2010, mas sem chorar pelo menos…

Afinal, Os Brasileiros Somos Passivos?


Central do Brasil, numa Sexta-Feira: Todos Indo Tomar um Méééééééééééé…

Uma dúvida persiste em ficar na minha cabeça nesse início de ano, graças a uma conversa com meu amigo Marcelo, que escreve (muito bem, por sinal) no blog Impostura: seria o brasileiro passivo? Eu realmente não sei muito o que pensar, mesmo que referências tanto para uma resposta positiva quanto para uma negativa existam aos montes. Marcelo disse que sim, que somos tão passivos que nossa independência política em relação a Portugal foi feita por um português – Dom Pedro I - e sem derramamento de sangue. Eu contraargumentei, com ressalvas, dizendo que nós estamos num momento de embriagez por conta da democracia, que nunca tinha sido tão abrangente, mas tão pouco valorizada. Disse ao Marcelo que o brasileiro só é engajado, ativo, quando a coisa está muito apertada para o nosso lado. E fiquei com essa questão na cabeça durante o resto do fim de semana. A primeira coisa que pensei, para tentar provar que o Marcelo estava generalizando um bocado, foi a seguinte: se quantidade de revoltas das classes menos favorecidas fosse motivo de uma atividade que visasse derrubar o status quo, a Jamaica seria um país de primeiro mundo. E todos nós sabemos que não é. A Jamaica foi a colônia mais rica do Império Britânico até o início do século XVIII, por conta da produção de açúcar, e, a exemplo do Brasil, onde tinha açúcar, tinha mão-de-obra escrava numa quantidade considerável. E na Jamaica eclodiram inúmeras revoltas de escravos. Isso porque não falei no Haiti, país dos “jacobinos negros”, que segue uma história ainda mais dramática. E tentei completar minha ideia pensando em movimentos de insatisfação ao longo de nossa história. Quebrei a cara. Digo, nem tanto, porque a minha ideia de que somos participativos quando a coisa começa a esquentar para nosso lado tinha procedência. Assim foi na própria independência, já que Dom Pedro I não a fez apenas por vaidade, e sim porque a classe dominante tupiniquim via seus privilégios comerciais, por conta da abertura do portos brasileiros às nações amigas (de urso, a Inglaterra), findando o pacto colonial, ameaçados. Assim foi também em nossa história recente com o movimento contra a ditadura, a luta pela anistia “ampla, geral e irrestrita” e as Diretas Já, nessa ordem cronológica.
Então meus amigos, pensei, pensei, tomei uma água, parei para respirar, pensei mais um pouco, e cheguei a uma conclusão pouco animadora, para mim e para meu amigo de letras Marcelo: somos um povo interesseiro, além de cordial. Já não basta o título de homem cordial, muito bem dado pelo grande Sérgio Buarque de Hollanda, de que o brasileiro é um homem que coloca o coração anos-luz a frente da razão, até quando precisamos usar a razão. Agimos quando nos interessa muito. Quando nos interessa, e digo mais, agimos de forma egoísta. Vejam os estatutos para idosos, crianças e adolescentes, de igualdade racial, que servem para nos separar ao invés de nos aglutinar sob as asas da nossa Carta Magna, ou as guaritas em bairros de classe média das grandes cidades, para dar proteção, ao invés de pedir mais competência às nossas autoridades, que por sinal, são eleitas por nós. Não precisei ir muito longe para dar exemplos. Você vê isso por aí. Aí vem a minha mente outra coisa que discuti com o Marcelo: nós estamos doidos para viver sob uma ditadura, isso porque ou a memória da ditadura ainda é muito recente, ou porque somos mesmo um povo passivo. Mas isso é coisa para outro texto.

Cacildis!


Os Trapalhões são os políticos, que tornam tudo - absolutamente tudo - mais difícil. Mas os verdadeiros palhaços somos nós, que aplaudimos cada palhaçada. Com uma comédia digna do Zorra Total, a gente vai rindo da própria desgraça.

Sim, estou profundamente amargo. Alguém tem um passaporte europeu para me emprestar?

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