Archive for the ‘Política’ Category

Cacildis!


Os Trapalhões são os políticos, que tornam tudo - absolutamente tudo - mais difícil. Mas os verdadeiros palhaços somos nós, que aplaudimos cada palhaçada. Com uma comédia digna do Zorra Total, a gente vai rindo da própria desgraça.

Sim, estou profundamente amargo. Alguém tem um passaporte europeu para me emprestar?

Dois Pontos Sobre A Democracia


Tentarei ser o mais breve possível para falar a respeito de dois pontos sobre a democracia que há muito quero chamar a atenção. O primeiro é o seguinte: viver em sociedade é conviver com as diferenças e saber respeitá-las, para que os outros te respeitem. Vivemos em tempos politicamente corretos, onde os grupos ditos marginalizados da nossa sociedade estão buscando cada vez mais seu espaço na sociedade, o que é muito justo. Já que vivemos numa democracia, por quê todos nós não podemos ter igualdade de oportunidades e de voz ativa? O que não podemos fazer é deturpar todo o sentido dessas lutas, dando um viés de vingança a elas. Assim, tendo como força motriz única e exclusivamente a vingança, as lutas que são travadas desde que o mundo é mundo perdem seu sentido.
O segundo ponto é direcionado aos que dizem que não gostam de política. Meus caros, vocês fazem política 24 horas por dia. Não sejam tão simplistas assim, ou vou passar a duvidar da inteligência de vocês. Não é preciso ser correligionário de partido político para fazer política. Política a gente faz todo dia. Dentro de casa, com os vizinhos, nas escolas, no trabalho, até na cama fazemos política. Viver em sociedade é conviver com as diferenças e saber respeitá-las, para que os outros te respeitem. Portanto, não generalizem. A política dita profissional é um tanto diferente da que nós fazemos em casa, no trabalho ou na vizinhança, mas ela é o fim de todo um processo, até porque a política começa em casa. Então, mais uma vez eu digo: não esqueçam em quem vocês votaram, para ter todo o direito de cobrar que um sistema democrático nos permite. Querem um fato engraçado? O Lula venceu em 2002 com a maior quantidade de votos que um candidato a presidência da república poderia ter. Só foi surgir os primeiros escândalos que sumiram os eleitores do Lula. É mais fácil reclamar do que cobrar de fato. Cobrar exige tempo, dedicação, essas coisas. Cobrar para quê? Cobrar para quê, se o Brasil é o país do futuro?

Entre Mortos e Feridos…

Foto provando que todos ficaram felizes, vencedores E perdedores. Na realidade quem sempre perde é a gente.

Com um certo atraso, eu peço a palavra para falar do resultado das últimas eleições para prefeito daqui do Rio de Janeiro, mesmo vocês querendo saber ou não. Penso o seguinte: o Eduardo Paes se meteu numa fria. Quando você tem aliados como Crivella, o PT (que nos últimos anos tem se saído um partido mais de direita do que o PSDB), Jandira, fora os caciques do PMDB, partido de Paes, dando suas caras vez ou outra, é uma cilada. Não entro nos méritos se ele é competente ou não, até porque só os próximos quatro anos vão nos dizer. Mas ele começa em maus lençóis, isso sem contar com a suposta oposição de metade da cidade, que votou no Gabeira. Gabeira mostrou-se capaz, apesar dos escorregões. Gabeira, o predileto de uma classe média um tanto sem rumo, saiu fortalecido apesar da derrota. Eu votei nulo. Respeito muito o Gabeira, que fez uma campanha ecologicamente correta, e votaria nele. Mas não votei nele justamente porque na coligação dele tinha o PSDB, partido que só não me dá mais urticária do que o PMDB e o DEM. Isso me fez votar nulo. Só para servir de réplica antes que comecem a tentar mostrar que meu voto foi em vão, fora os palavrões e as ameaças de morte, armas de quem não suporta um contra-argumento, e ao mesmo tempo mostrar minha desilusão com nossa política, o PSDB está na administração César Maia. Logo, não teríamos para onde correr, mesmo. Outro fato: a classe média, que gritava palavras de apoio ao Gabeira nessas eleições, é a mesma que no ano passado tinha saído dos cinemas gritando “Caveira!”, em alusão ao filme Tropa de Elite. Não sabemos mais a quem recorrer, já que fomos do Facismo a EcoPolítica em um ano, num discurso de mudança nada coerente. Realmente se nós, da classe média, nos achamos os salvadores da pátria pensando assim, é melhor eu comprar minha passagem para o Paraguai. E não adianta reclamar que Paes ganhou por conta do feriado, porque quem queria uma suposta mudança nos rumos do Rio votando em Gabeira não viajaria nem faltaria às eleições. Isso é fato.
Contudo, o problema é muito mais embaixo. Um sistema político que favorece os mais poderosos, currais eleitorais por conta do tráfico e das milícias, sem contar a contradição bem brasileira: um sistema amplamente democrático que te OBRIGA a votar. Isso sem falar que nós pensamos que as eleições são o fim do processo democrático. Muito pelo contrário, é apenas o começo. Cabe a nós cobrarmos de quem votamos, e se somos da oposição, ficar mais de olho ainda, esperando os tropeços, que sempre aparecem. Aposta quanto que ano que vem todos vão falar a respeito da reforma política, que foi falada a exaustão no ano passado (nos anos ímpares não tem eleições, já percebeu isso?). Mas em 2010 tem eleições. Ninguém vai querer perder mais quatro anos de férias.

Quase Um Copo de Requeijão Quebrado!!!

Depois de quebrar, das duas, uma: ou joga fora, ou cata os cacos e cola. Levando em conta que o que quebrou é uma peça rara (e cara!) a gente opta por catar os cacos e colar. Verdade seja dita, talvez não terá a mesma beleza de antes, e a gente sempre acredita que não terá a mesma serventia de outrora, mas colar algo precioso que quebrou tem seu valor sentimental, além do fato que a gente pode se surpreender e essa coisa que quebrou ainda pode ter grande valia para nós. Então a gente reserva uma tarde de sábado em que a gente enfim vence a preguiça e pega aqueles cacos que a gente guardou por um tempo, uma cola que cola tudo, dá uma de cirurgião sem registro no Conselho Regional de Medicina, e bota tudo no lugar. Se vai quebrar de novo, só o tempo e o nosso zelo podem dizer. Mas o mais importante é que desta vez a operação foi um sucesso, e, o mais importante, o paciente não morreu.

Vai Ser Gauche na Vida!!!


Hoje muito se fala de se respeitar as minorias, sejam elas religiosas, sexuais, étnicas e por aí vai. Porém, sinto falta de um movimento que defenda os direitos de um grupo mais marginalizado do que qualquer minoria. Pior: há, desde os tempos mais antigos, toda uma campanha contra esse grupo tão marginalizado, que soma, segundo estimativas, aproximadamente 10% da população mundial: os canhotos.
Sim, eu sou canhoto, e esse é o motivo principal que estou escrevendo este artigo. Não há políticas públicas para nós. Somos marginalizados, ridicularizados, dia após dia, pois o mundo (ainda) é dos destros. Logo, se o mundo é dos destros, boa parte das coisas que foram feitas neste mundo foram feitas pensando nos destros. Nem a religião nos ajuda: no islamismo, as tarefas “impuras”, como a higiene, são feitas com a mão esquerda. Jesus está sentado a direita de Deus, enquanto o nosso grande amigo Capeta está a esquerda. Nas escolas, as carteiras, as tesouras, os cadernos e as réguas não ajudam o canhoto. O canhoto é tido como desastrado, mas você, amigo destro, seria tido como sem jeito se tivesse que fazer as coisas ao contrário. Já tentou abrir uma lata com um abridor de latas? Você consegue? Eu não. Sou canhoto. Abridores de latas são para destros. A pior política de exclusão é aquela que é mais velada. E a campanha contra canhotos é pior do que a questão do preconceito contra negros e pobres no Brasil. Não há deputados defendendo nossos direitos. Não há um ministério para promover a igualdade entre destros, canhotos, ambidestros, manetas, pernetas ou punhetas. Somos obrigados a lutar sozinhos, e usando as armas de forma um tanto torta, já que as armas também foram feitas para pessoas destras.
As únicas coisas que restam a nós, canhotos, são: ou se conformar, já que provavelmente muitos de nós usam o mouse do computador ou toca violão como um destro, como eu faço, ou começamos a lutar pelos nossos direitos, apesar que, infelizmente, o movimento canhoto ainda é muito, mas muito tímido aqui no Brasil.
Para que este texto dê um sopro de esperança para todos os canhotos, fiquem sabendo que se você, amigo esportista destro, pegar um adversário canhoto, você está perdido. Canhotos são acostumados a enfrentar destros, mas destros não estão acostumados a enfrentar canhotos. Um a zero para a gente. Muitos dos gênios – e alguns gênios E loucos – da História da Humanidade são (ou eram) canhotos. Conhece Napoleão Bonaparte? Bill Gates? Maradona, Picasso, Jimi Hendrix, Machado de Assis, Woody Allen, Albert Einstein? Conhece esse pessoal? Dois a zero para os canhotos. Os canhotos são tidos como mágicos E diabólicos, segundo a mitologia africana de algum lugar da África. Li isso num livro do Nei Lopes, ou seria na Veja, ou numa caixa de cereal? Não importa. Três a zero.
Ser canhoto não é ruim, só é complicado, ainda mais num mundo que não ajuda os canhotos.

Amigo canhoto: no dia 13 de agosto, reúna todos os canhotos que você conhece e faça uma passeata pelo orgulho canhoto.

Alguns links, para os canhotos e simpatizantes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Canhoto

http://www.bancodeescola.com/canhoto.htm

http://www.mundocanhoto.cjb.net/

A Festa da Democracia…

As festas são mais ou menos assim: a gente nunca sabe com que roupa vai, nem quem vai encontrar por lá. Mas mesmo assim a gente vai. Depois a gente bebe mais do que deveria, e acorda com o inimigo na mesma cama. A festa da democracia no Brasil é assim, só que a gente não se arrepende de acordar com o inimigo porque a gente nunca lembra em quem votou.

Hipocrisia, Eu Quero Uma Pra Viver…

As mesmas pessoas que reclamam da falta de educação dos filhos das outras pessoas têm filhos tão - ou mais - mal-educados do que as outras crianças.

As mesmas pessoas que reclamam da segurança pública após um assalto são as mesmas que dão de ombros para as chacinas e massacres ocorridas nas periferias das grandes cidades.

As mesmas pessoas que dizem que o brasileiro é desonesto, no fundo faria tudo para levar vantagem sob qualquer circunstância.

As mesmas pessoas que dizem indignar-se com a corrupção dos maus policiais já deram um “arrego” para escapar daquela multa inevitável ou deram a famosíssima “carteirada” para fugir de uma agradável noite na prisão mais próxima de casa.

As mesmas pessoas que falam que todos têm que fazer o possível e o impossível para um mundo melhor, são as primeiras a dizer que fizeram o bastante e podem dormir tranqüilos, pois irão para o Céu quando morrerem.

As mesmas pessoas que ficam indignadas com a corrupção em Brasília são as mesmas a dizer que se estivessem no lugar desses maus políticos fariam o mesmo, já que – dizem por aí, dizem - por lá é inevitável a corrupção.

As mesmas pessoas que dizem que não tem preconceito são as primeiras a reparar no quanto o namorado da filha é “escuro”, ou que o vizinho é um pouco “alegre”.

As mesmas pessoas que falam da falta de atitude dos nossos jovens são as primeiras a cruzar os braços, já que “não se pode fazer mais nada”.

O Ministério da Saúde não precisa se preocupar mais com dengue, malária, AIDS ou qualquer outra doença transmitida por vírus ou bactéria. As nossas piores doenças são a passividade e a hipocrisia.

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