Archive for the ‘Rio de Fevereiro’ Category

Um Poema de Lembranças Coletivas Ruins, no Duelos

Infelizmente, a imagem acima fala melhor que mil discursos contundentes. Mas quem quiser dar uma conferida no poema, clicaê:

http://duelosliterarios.blogspot.com/2009/12/lembrem-se-ou-ainda-sao-dos-menores.html

O Rio Perdeu Mais Um Carioca

Eu, pelo menos até o final deste texto, queria deixar de lado esse Rio de Janeiro de hoje, caótico, com violência, transito, favelização crescente, pobreza e outras mil mazelas, mas sei que não conseguirei. Mas arrisco. Quero relembrar o Rio de Janeiro de ontem.E meu ontem é ontem mesmo. Eu sou cria do subúrbio carioca. E até dez, 15 anos atrás por aqui, no subúrbio, se via as crianças jogando bola nas ruas, os mais velhos conversando nos portões com os vizinhos, os casais de namorados nas praças do bairro, o cheiro do pastel vendido nas feiras livres, dos clubes de bairro, as festas de rua no carnaval e na festa junina (ainda que já meio descaracterizada, tocando funk a noite toda) e outras coisas que sinto que perdi. Digo, não só eu, como toda a população do subúrbio carioca.Não, eu não sou tão velho assim. Eu tenho 22 anos. Mas ainda vi e vivi muita coisa boa nos subúrbios cariocas que, infelizmente, não vemos mais. Hoje não vejo mais nada disso, infelizmente. As ruas do Engenho de Dentro que eu cansei de andar tarde da noite sem preocupação nenhuma hoje estão entre as mais perigosas do Rio de Janeiro. As fábricas que eu sempre via no caminho quando ia visitar meus parentes no Jacaré ou no Morro do Adeus hoje são depósitos abandonados. Os lugares onde passei minha infância no Méier não existem mais. Até a rua outrora tranquila no Encantado onde morei dos sete aos 18 anos não é mais a mesma, provavelmente é reduto de mais uma facção criminosa ou de uma milícia. Nos cada vez mais distanes anos 1990 até existia violência, abandono e essas mazelas todas que vemos hoje. Para a economia brasileira, foi uma década de recuperação, mesmo que o bolo dessa recuperação não tenha sido dividido até hoje, mas as coisas estão cada vez mais difíceis. Num lugar onde temos mais medo da própria polícia, que por ser autoridade, se acha acima da Lei, ao invés de protegê-la, uma população chora suas pitangas e não é escutada - se é que algum dia foi. Se o pessoal da Zona Sul está pedindo isenção de IPTU por ter passado uma semana repleta de violência, imagine nós, que estamos abandonados a própria sorte há tempos, onde as ruas não tem nem iluminação pública adequada e vivem esburacadas e a mercê de políticos oportunistas.Neste momento eu choro por dentro. Choro porque sei que as coisas eram bem melhores, e nem eram tão boas assim. O Rio de Janeiro perdeu mais um carioca, e não porque ele morreu vítima da violência. O Rio de Janeiro perdeu mais um carioca porque estou com meu coração partido. O Rio de Janeiro sempre será a Cidade Maravilhosa, mas cada vez mais para esse caos só existem duas saídas: ou o Galeão ou o Santos Dumont.

Zezus é o Piloto e Os Passageiros Somos Nozes

É que dá uma cãimbra aqui…

Barack “Jesus” Obama, “O” Messias da vez, digo, “O” negão da vez para levar a culpa da cagada toda que é essa crise.

Já repararam nos adesivos que estão presentes em 13 de cada 10 veículos no Rio de Janeiro? Aqueles de mensagens de temática religiosa, como “Foi Deus que me deu” ou “Veículo dirigido por mim, guiado por Deus” ? Se a gente encarar esses adesivos cristãos pela ótica capitalista E estatística, podemos chegar a conclusão que Deus é o dono da maior frota de Kombis ilegais de toda Zona Metropolitana do Rio de Janeiro, além de dono de todas as empresas de ônibus meia boca , já que andar nessas carroças, digo, veículos caindo aos pedaços, só mesmo com proteção divina. E r$ 2,20.
E outra: Deus já deve ter tido muito prejuízo com mecânicos e, de quebra, deve ter perdido também seus 20 pontos na carteira de habilitação. Alô, DETRAN, a lei é para todos, sejam eles onipresentes, onipotentes ou não! Quanto à questão da onisciência, tenho minhas dúvidas. O número de bestas no trânsito nunca foi tão grande. Então, se Deus deu carro a esse povo todo, que, por sua vez, faz o Diabo no trânsito, Ele – que me perdoem os cristãos - não está no seu juízo perfeito.
Quanto àqueles adesivos “Eu amo minha esposa”, me dá uma vontade de ter um carro só para colocar um adesivo bem grande nele, mais ou menos com os seguintes dizeres: “Eu também amo sua esposa. Ass.: Ricardão”. Esse povo tem cada uma…

Gaza, a Outra


É outra Gaza, mas as vítimas são sempre as mesmas.

Gaza (música de Flavio Braga, Felipe Juliani e Danilo Juliani)

Linha Vermelha, sinal de perigo
Aqui não se foge, se acostuma
O pancadão emudece o velho choro
que ecoa da Maré até a Pavuna

Não há nada que estanque o sangue
No caminho entre o boteco e a igreja
Soldados do Alemão, na contenção
Não há poder público que nos proteja

Não tem gringo, madame nem praia
Só veias abertas

Em Gaza

Se na Linha Amarela não pode passar
Mas não tem volta, sempre se acostuma
O sol brilha no céu com tantas pipas
e traçantes de Lucas a Inhaúma

Confundindo alegria com guerrilha
Só deus protege na falta de fé
Nunca é tarde para a tragédia
O sol não se põe no Jacaré

Não tem gringo, madame nem praia
Só veias abertas

Em Gaza

Vocês podem conferir a música na parte “Escute Espantalho Torvo!”, aqui no blog, ou acessando o Bandas de Garagem (www.bandasdegaragem.com.br/espantalhotorvo)

Uma Ditadura, Com Fritas, Por Favor


Nada mais confortável do que viver sob as asas paternais de uma ditadura. É o que parece que queremos. Quando exigimos que o poder público coloque o Exército nas ruas para nos proteger dos nossos próprios fantasmas, estamos na verdade jogando nossa liberdade no lixo. Primeiro que essa não é a função dos militares, que deveriam estar fazendo coisas mais importantes do que vigiar nossas esquinas, como vigiar nossas fronteiras ou descascar batatas. Para vigiar as esquinas existem os policiais*. Quando assinamos um abaixo-assinado da associação de moradores do nosso bairro para botar guaritas nas nossas ruas, ou pior ainda, quando abaixamos a cabeça para milícias, organizações do crime organizado e afins, por um luxo que parece mais valioso que nossa simples liberdade de ir e vir (os famosos “gatos”), a gente joga tudo que conquistamos em matéria de liberdade – que já é pequenininha assim, ó – no aterro de Gramacho. Talvez não sejamos passivos, somos paliativos, isso sim. Ao invés de votar direito e depois cobrar direito pelas promessas que nossos amados políticos fazem nas eleições, o que é o de praxe numa democracia (ou teria que ser), nós apelamos para os santos, as igrejas, os bandidos, ao diabo, menos – adivinha? – aos nossos políticos. Pois então, amigo, antes de esbravejar que a cidade só tem jeito na base da porrada, pense bem no que fala, pois quando tirarem sua liberdade em prol da suposta segurança, não reclame.

*Alguns números, mesmo para quem é ruim de conta feito eu: no Rio de Janeiro existe uma média de 1 policial militar para cada 400 habitantes, enquanto em São Paulo, que é uma cidade maior que o Rio, há 1 policial para cada 434 habitantes, isto é, o negócio por aqui não é falta de policial, e sim o que esses policiais estão fazendo – o tal do “desvio de função”. Para maiores detalhes, leia no link que peguei no blog “Repórter de Crime”, de Jorge Antônio Barros:

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/post.asp?t=coronel-jose-vicente-problema-do-rio-desvio-de-policia&cod_Post=143728&a=135

Poesia Numa Hora Dessas? (19)


Grito de Guerra Do Carioca, ou simplesmente (sempre com nossa marra costumeira) Eu Sou Do Rio

Ei meu amigo
Em briga de Saci não tem rasteira
Já dizia o Malandro
Quem é do Rio não bobeia

Ei meu amigo
Tenho lava de vulcão nas veias
Já como dizia minha Mãe
A Inveja é coisa feia

Já como dizia meu vô
Fui garçom na Santa Ceia
Já como dizia o Malandro
Quem é do Rio nunca bobeia

Já como dizia o Malandro
Quem é do Rio jamais
Bobeia

Rio, 22 de Dezembro de 2008, calor de matar.

De Volta Para o…Passado

O Rio de Janeiro está na sua Idade Média – ou das Trevas, com todo trocadilho possível. Já não basta a ignorância reinante, que não é privilégio da gente, o mundo todo está assim, e as verdadeiras batalhas campais que ocorrem algumas vezes por semana por aqui, capazes de fazer a Segunda Guerra Mundial ser apenas uma briguinha, ainda temos que viver em feudos. Sim. Feudos. Todos que são relativamente poderosos tem seu quinhão de terra: vereadores têm seus redutos, deputados também, traficantes, milícia…e por aí vai. Ou você e sua comunidade buscam proteção nessas figuras ou vai ficar desprotegido. Sem água, luz, gás, TV a cabo ou internet banda larga. Protejam-se!

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