Toda Poética de Pegar Um Busum no Rio
Tira afanada descaradamente do ótimo Ryotiras (www.ryotiras.com)
Desde pequeno pego ônibus. E não é que eu ame andar de ônibus, eu, obviamente, me acostumei em ir aos lugares de ônibus (eu sei, eu sei, ser pobre é uma desgraça). Como tudo tem seu lado bom na vida (até pegar ônibus, desde que não seja o lado do ônibus em que o sol esteja castigando), até que é divertido. Ver as paisagens, os contrastes da cidade, as moças bonitas (e as que não são bonitas também, coitadas!), as pessoas com seu vai-e-vem normal de uma cidade grande, essas coisas. Eu sei, é uma visão meio poética. Mas vocês se enganam se acharem que eu só sou elogios aos ônibus cariocas.
Para começar, o preço do ônibus. Tem horas em que penso que eles tinham que cobrar metade da passagem, porque os anos passam e os ônibus diminuem de tamanho e o número de passageiros só aumenta. Então imaginem, três pessoas num lugar onde cabe uma. Uma criança, das pequenas, naturalmente. Ainda tem os motoristas que fazem do simples ato de pegar um ônibus um esporte olímpico. Se Usain Bolt fosse carioca, ele faria os 100 metros em seis segundos, porque os motoristas, imbuídos do espírito de deixar o carioca em boa forma, param o ônibus um pouco à frente dos pontos de ônibus. É coisa pouca, uns 50, 100 metros. E todo mundo sai correndo atrás do ônibus, seja jovem, idoso, cadeirante ou perneta. É muito bonito ver essas pequenas coisas na nossa rotina une pessoas tão diferentes. E é a maior felicidade quando esses ônibus fazem um favor a esse povo todo e param, porque desconfio que as empresas de ônibus devem oferecer prêmios para o motorista mais rápido do dia, e o prêmio deve ser muito bom, já que todos estão imbuídos deste espírito meio Fórmula Um.
Mas, mesmo assim, pagando o preço de andar num ônibus de primeiro mundo e se sentir não raro num pau-de-arara, até que andar de ônibus tem algo de bom, só que eu, infelizmente, ainda não descobri bem o que é. Só sei que para quem não tem sua própria Mercedes, tem que se contentar em pegar a Mercedes coletiva. Paciência, baixa renda!





