Cenas (In)Comuns, 2

Para aí, cidadão.
- Quem, eu?
- É.
- O que houve, seu guarda?
- Deixa eu ver a documentação do carro.
- Ih, seu guarda, dá não.
- Por quê?
Esse carro não é meu, é emprestado, e nem tenho carteira ainda.
- Que bonito, hein! Sai do carro! E essa lata de cerveja vazia dentro do seu carro?
- É, seu guarda, eu admito, eu tava bebendo enquanto bebia.
- E pelo menos a uns 30 km/h acima do permitido. Você gosta de confusão, hein garoto!
- Mas seu guarda, a gente pode resolver isso.
- Como assim, rapaz?
Aceita um dinheiro para a cervejinha?
- Você está querendo me subornar, rapaz?
- Sabe, “subornar” é uma palavra muito forte. Diria que é uma “ajuda de custo” pelo seu trabalho bem feito.
- Você pensa que todos policiais são corruptos?
Não é questão de corrupção, seu guarda, é fazer uma vista grossa. Me libera que prometo pro senhor que nunca mais sou pego numa blitz, não atropelo velhinha, nem xingo no trânsito.
- Rapaz, você ta fazendo um juízo errado dos policiais…
- Que absurdo, seu guarda! Você não vai aceitar suborno? Acho que isso vai custar seu emprego! No Brasil é quase como violar a Constituição! Chama seu superior que eu tenho uma queixa para levar a ele! Absurdo, não aceitar suborno, ainda mais no Brasil…

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 3

logo

Não conhece? www.espantalhotorvo.com

Dedico aos dois melhores guitarristas da minha banda, os Irmãos Gallagher de Quintino, Felipe e Danilo.

Ó, a parada é a seguinte: vocês vão tocar numa terça-feira, lá pras 23 horas, e a gente vai dar para vocês uns 40 ingressos para vocês venderem a r$ 10 cada um, pra nos ajudar a pagar o espaço. Ou seja, vocês vendem uns 20 para pagar a gente e o resto que vocês conseguirem vender pode ficar para vocês.
- E se a gente não conseguir vender r$ 200 em ingressos?
- Ué, tira do bolso de vocês! Tira do bolso ou não toca. Mas não fiquem preocupados, porque o dia e o horário são muito bons, vocês vão conseguir acabar com esses 40 ingressos facinho, facinho.
- Sei… mas vocês vão fazer propaganda do evento também, né?
- Claro! A gente vai colocar uma nota de rodapé no site www.quinquagesimoterceirofestivaldebandasindependentesdoriodejaneiro.com, um site que tem, aproximadamente, 12 visitas por dia.
- Legal! Mas e a aparelhagem?
- Tudo de primeira.
- Mas essa caixa com cheiro de queimado e esse surdo da bateria com um dos pés improvisados com um tijolo? Isso porque nem falei do palco pequeno até para um trio de punk rock anão da Somália. Parece que a parada aqui é meio caída…
- Que caída nada, rapá, é pra dar um clima meio old school, total garage badass modafucka underground ao lugar e tal…
- Pô que legal! Vamos tocar então.
- Qualquer coisa eu também produzo bandas…Conhece Metallica? Fui eu que tirei eles do underground…

Já É?

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 2

pra-la

É, admito que tive amigos imaginários, mas prefiro os meus amigos reais.

Uma coisa que carrego desde que me entendo por gente é a dificuldade em fazer amigos. É que sempre fui muito tímido. Até hoje sou assim, tenho bons amigos que conto na mão sem o mindinho do Lula. Os conhecidos eu não conto, porque conheço um bocado de gente. Que seja. Na infância é sempre mais fácil de se fazer amigos, não temos tanta exigência. Hoje, para ser meu amigo, exijo que o candidato preencha uma ficha (tempo de espera de resposta: 8 meses, em média). Mas curiosamente tive muitos amigos imaginários, mas nenhum era amigo imaginário meu, da minha imaginação. É eu brincava com os da minha irmã. Os meus eram muito chatos.

Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 1

Pede dinheiro pra vovó agora, malandrão!

Uma coisa que sempre achei engraçado (e ainda acho) é a mania dos familiares mais velhos – desde pais, avós, tios e até primos! – de se sentirem na obrigação de dar dinheiro para os mais novos, meio que sem motivo. Uma das lembranças mais surreais que tenho é da época em que meu avô, coitado, que estava muito doente e gastando uma fortuna em remédio, quando eu ia visitá-lo, ele me dava dinheiro. Dizia ele que era para o ônibus, mas só se fosse para um ônibus para a Região dos Lagos. R$ 20! Olha que nessa época eu já trabalhava, devia ter meus 18, 19 anos. Claro, não ganhava – e nem ganho, ainda – uma fortuna, mas já tinha meu próprio dinheirinho para ir visitá-lo. E quando ele esquecia, a minha finada avó sempre falava, “Bruno, o dinheiro do ônibus para o Flavinho!”, e lá ia ele me dar o dinheiro. Se eu os visitasse pelo menos umas três vezes por semana, desde que nasci até meus 20 anos, descontando os dois anos que morei por lá, eu seria o primeiro da minha turma de amigos que tinha se aposentado ao terminar o ensino médio e antes de terminar a faculdade. Maldita hora para não ser tão ligado à família!

Cenas (In)Comuns, 1

- Amor, eu preciso falar com você.
- O que ouve, amor?
Sabe, não sei se te amo mais.
- Mas…
Eu sei, eu sei, querido, você é tão perfeito! Você não faz nenhuma cagada, não me bate, guarda tudo direitinho, troca o futebol com os amigos para discutir a relação, não deixa o banheiro todo molhado depois de tomar banho, não bebe de cair de tão bêbado, até minha mãe gosta de você, e você gosta dela!
- É por isso, por ser tão bom?
- Sei que é difícil de entender, mas é isso. Eu preciso de um cafajeste. Além do mais… Peraí, agora que to vendo, de quem são essas crianças que estão junto contigo?
- São meus filhos fora do nosso casamento.
- Você me traiu, seu safado? Nós temos quase quinze anos de casados e você me faz uma coisa dessas a essa altura do campeonato?
- Desculpa, mas não resisto a um rabo de saia.
Te amo!

Eu no Duelos!

Fala gente!

Nada melhor que voltar com toda disposição. Estamos no quinto dia do ano e eu já com um texto do bom lá no Duelos Literários. Aproveitem!

http://duelosliterarios.blogspot.com/2010/01/ou-ainda-o-necessitado-ou.html

Abraço!

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