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Memórias Infantis de Um Homem Infantil, 2

pra-la

É, admito que tive amigos imaginários, mas prefiro os meus amigos reais.

Uma coisa que carrego desde que me entendo por gente é a dificuldade em fazer amigos. É que sempre fui muito tímido. Até hoje sou assim, tenho bons amigos que conto na mão sem o mindinho do Lula. Os conhecidos eu não conto, porque conheço um bocado de gente. Que seja. Na infância é sempre mais fácil de se fazer amigos, não temos tanta exigência. Hoje, para ser meu amigo, exijo que o candidato preencha uma ficha (tempo de espera de resposta: 8 meses, em média). Mas curiosamente tive muitos amigos imaginários, mas nenhum era amigo imaginário meu, da minha imaginação. É eu brincava com os da minha irmã. Os meus eram muito chatos.

Agora fiquem Com O Melhor da Propaganda, De Novo!

show

Fala gente!

A banda do meu grande amigo Fabiano (www.estradademaria.com) vai estar tocando no Espaço Multifoco, na Lapa, dia 10 de outubro. Deem uma força pro pessoal! Mais detalhes no site Estrada de Maria.

Eu vou! E você, vai perder essa?

Poesia Numa Hora Dessas ? (7)

Ao Telefone com Natasha, ou ainda Desliga você, não, desliga você

O feijão queimou
Minha música tocou
A novela acabou
E eu ainda no telefone.

O sono já foi para a cama,
cansado de me esperar.
Maldito.
Fará falta amanhã, mas só amanhã.
- Não, mãe, não é um monólogo por celular, é Natasha.

E Natasha fala, e eu escuto.
E Natasha fala mais, e eu escuto mais.
E Natasha fala, e eu tento falar.
Não consigo.

E eu falo, e Natasha ri.
E eu falo mais, e Natasha ri mais.
Também estou rindo, mas tento parar.
Tímido e contido.
Não consigo.

Nunca um feijão queimado,
Uma música perdida
Ou o fim da novela
Valeram tanto a pena.

- Não, mãe, não é um monólogo por celular, é Natasha.

E eu ainda no telefone

Desliga você, não, desliga você.

Rio, 18 de junho de 2008.

Prazer, Violão

Ele é perfeito. Desafina de vez em quando, mas quem não desafina? Tem tanta gente desafinada por aí que é bem sucedida, por que ele não pode ficar um pouquinho desafinado? Fora isso, não tenho reclamações mais graves contra ele. Ele está perto de mim quando eu mais preciso. Ele é a companhia perfeita para tardes nubladas. Ele é minha voz em dias em que estou sem voz, por conta de dor na garganta ou dor na alma. Ele não reclama por ficar num cantinho qualquer, muito pelo contrário, fica até bem meio escondido. Ele é tão discreto quanto eu, por isso que eu não posso mais viver sem ele. Ele é perfeito. Não, perfeito não, porque ninguém ou nada é perfeito. Ele seria perfeito se me emprestasse dinheiro e se fosse uma mulher atraente e inteligente, mas pelo menos ele tem uma silhueta que todas as mulheres querem ter, e se eu soubesse melhor como usa-lo, estaria chovendo mulher na minha cama. Mas tudo bem. Amigos são assim, com alguns defeitos, mas a gente sempre perdoa, não adianta.
Apresento o meu amigo, Violão.

Trilha sonora: “Meu Violãoâ€, de Paulinho da Viola.

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