Carnaval…Chora Cavaco!

Você está me vendo nessa foto? Nem eu.
Pego gancho num pensamento do meu grande amigo Felipe, um dos dois melhores guitarristas da minha banda e filósofo nas horas vagas. Abram aspas:
“O carnaval é nosso Ano Novo chinês!”
Costumo rir de 98,32% das citações do Felipe, mas para meu espanto (e talvez até para o dele próprio), ele está certo ao fazer tal comparação. Carnaval parece coisa de outro mundo. Parece que a esperança da vida se transformar, que está guardadinha desde o Ano Novo, volta mais um pouquinho, nem que seja até a quarta-feira de Cinzas. Digo mais: no carnaval parece que se abre um portal para um mundo paralelo, onde tudo é permitido - mas na verdade eu só abri a porta daqui de casa. A gente se fantasia, fantasia em cima da fantasia das outras pessoas e às vezes, dependendo do papo e do teor etílico, despimos as fantasias uns dos outros.
É uma mistura de cores, odores, tambores, classes, raças, línguas, mãos, pernas e outras partes do corpo que ficam ainda mais cotadas nessa época do ano. E ninguém é de ninguém (como se já não o fosse assim nos dias normais).
Tudo é fugaz: as fantasias, a felicidade, os amores de carnaval e as rainhas de bateria, que, segundo uma teoria que desenvolvi ainda na adolescência, se escondem em suas casas (ou nas academias) durante o resto do ano.
Então aproveitem. Aproveitem que eu vou dormir até quarta-feira, até a hora da apuração, para ver se a Portela ganha alguma coisa. Abraço.