Posts Tagged ‘saúde’

NadaCrônicas, 24

Ou Ainda O Insone

Está difícil dormir. E não são as dívidas ou as preocupações do dia-a-dia que não me deixam dormir. Não é nada, só não consigo dormir, pelo menos na hora que eu tinha que estar dormindo. Ainda bem que não trabalho com máquinas pesadas. Mas isso pouco importa. Tenho sono. Muito. Mas não prego os olhos. Já tomei chá de erva cidreira, de erva proibida, até tomei o chá das cinco. Tudo que consegui foi uns baratos, ter algumas alucinações, como ver elefantes brancos ou a hora do rush sem engarrafamento na Avenida Brasil. Tentei usar da psicologia reversa, pensando que não queria dormir para poder dormir, mas ainda estou acordado. Mais acordado do que de costume. Fiquei até com vontade de fazer uma faxina em casa às 3 da manhã. Mas é vontade que dá e passa com um banho frio.
Depois contei carneiros. Exatos 1.532.486. Contei políticos honestos. Um, ou dois, não me lembro agora. Contei até botafoguenses. Exatos 19. E nada de dormir. E comecei a fazer listas no estilo “cinco maisâ€. Cinco melhores solos de guitarra, cinco melhores jogadores de futebol que vi jogar, cinco maiores mentiras, e nada. Desisti. Nunca fui bom com listas, nem com as de supermercado. Sempre acabo esquecendo de alguma coisa.
Tentei até esvaziar a cabeça. Tentei, e não consegui. Mas foi tão cansativo tentar esvaziar a cabeça que acabei tirando uma soneca.

NadaCrônicas, 15

Meia-verdade: Copo meio vazio ou meio cheio?

Uma coisa mais estranha que falar somente a verdade ou falar muita mentira são as meias-verdades (ou meias-mentiras, depende como se vê, se o copo está meio cheio ou meio vazio). Elas não chegam a ser mentiras, mas estão longe de ser verdades. É aquele conhecido papo de “omitir, não mentirâ€. Para vocês pode ser algo engraçado, mas quando penso nessas coisas eu penso em alguns diálogos que podem ilustrar a tal da meia-verdade sem precisar viajar muito, é só partir do nosso cotidiano:

- Sr. Flavio tenho boas notícias. O senhor vai receber alta ainda hoje.
- Que bom, doutor, já não aguento mais ficar nessa cama, nesse quarto de hospital, essa comida com sabor de papel reciclado…
- O senhor já comeu papel reciclado?
- Não, mas o sabor deve ser mais ou menos esse.
- Que seja, o senhor vai para casa ainda hoje.
- Que bom! Mas e quanto as recomendações? Algum cuidado a respeito de comida, essas coisas? Doutor, eu não quero voltar num hospital tão cedo!
- Calma, meu rapaz, você não vai precisar voltar a um hospital enquanto você viver.
- Não entendi, doutor.
- Olha como o dia está lindo! Calor, né?
- É…
- Então é isso, Flavio. Aproveite, porque a vida é curta!
- Claro! Ainda mais depois desse susto! Obrigado doutor! Ainda volto para agradecer o senhor.
- Precisa voltar não. Tenho medo de assombração.
- Oi?
- Não, não precisa voltar para agradecer, mas me sinto tocado pela sua gratidão.
- A tá.
- Coitado…
- Quê?
- Mormaço, hoje está um mormaço.

- E aí, doutor, conseguiu falar com ele que só lhe restam mais três dias de vida?
- Sim e não.
- Como assim, doutor?
- Falei mas não falei.
- Hum?
- Bem, falei que ele ia receber alta, que podia comer o que quisesse, que ele não precisaria voltar a um hospital enquanto vivesse e que aproveitasse a vida, porque ela é curta.
- Mas você mentiu para o coitado!
- Não, menti não. Omiti.
- Coitado.

Filosofando…(3, A Hora da Auto-Ajuda)


Está triste? Durma!!!
Gasta menos energia que rezar e é muito mais saudável do que se drogar!!!
Vou dormir!!!
Boa Noite!!!

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