Eu sei, meu amor, você não pediu para nascer.
Sei que ao longo de sua vida você pode ficar com raiva por não ser sua culpa em vir ao mundo. Mas escute o papai: sempre que você sentir essa vontade, procure a mamãe ou o papai para uma conversa. Eu sei, algumas vezes nós não vamos te oferecer respostas, mas a gente vai te ajudar a achá-las. Confie nisso.
Meu anjo, a vida, infelizmente, não é justa. Mas tenha certeza de uma coisa: o meu papel e o da sua mãe é fazer com que você sofra menos com injustiças do que nós sofremos. Esse é um compromisso que temos com você para o resto da vida. Como você pode ver, papai não tem super-poderes nem tem o estranho hábito de usar a cueca por cima das calças, mas quando você precisar de socorro de um super-herói, chama papai que ele te ajuda a resolver seus problemas, nem que ele esteja muito velho para dar uma de herói.
Aproveite sua infância, minha filha. Deixa as coisas complicadas com a gente. Brinque. Muito. Apronte um pouquinho. Tudo bem, você pode até deixar papai e mamãe de cabelos em pé (aproveite enquanto papai tem cabelo!) com uma ou outra travessura, mas serão esses momentos bons que você vai levar para a vida toda. Seja uma criança feliz. Papai e mamãe cuidam do resto.
E quando surgir seu primeiro amor, não escute papai. Eu vou dizer que o cara é isso, é aquilo, vou dizer até que ele não gosta de mulher, mas é ciúme do papai. Mas escolha bem, porque – palavra de homem! – são poucos os que prestam. Papai não vai poder te ajudar muito nisso – até porque sou um pai heterossexual e compromissado com sua mãe – mas quando tiver que te proteger, eu vou proteger. Vou te proteger porque te amo.
Eu sei, amorzinho. Sei que esta carta é muito pequena. Mas o amor da gente por você não cabe em palavras.
Seja bem-vinda!
Beijos de um pai coruja que tanto te ama.
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Meu anjinho nasceu ontem, por volta das 10 horas da noite. Acho que foi um dos dias mais felizes - e cheio de nervosismo! - da minha vida. Sou homem, mas chorei. Sou ateu, mas nunca rezei tanto para tudo dar certo. E deu. Ana Flavia, bem-vinda!
É gente, parece que agora sou um pai de famÃlia…