Posts Tagged ‘sobre (quase) tudo’

Uhul!

Aqui estou, a beira do precipício.
Não sei o que me aguarda lá embaixo. Mas não me falta vontade de pular. Quero pular, mesmo que só esteja protegido por um barbante de padaria e pelo meu cabelo black power. Mas uma coisa é certa, vou pular. O que vou encontrar lá embaixo é conseqüência, eu escolhi, eu me garanto. É melhor do que não pular e ficar com medo a minha vida toda. Não me dou o benefício da dúvida. Pode ser que tenham estacas pontiagudas que vão me ferir para sempre, pode ser que eu encontre todo o sentido da minha vida por lá, as chances são as mesmas, meio a meio.
Fechar os olhos quando pular? Para quê? Eu quero ver a vista enquanto me jogo de cabeça!

NadaCrônicas, 35

Ou Ainda O Dia em que o Medo Venceu a Esperança

Ela é tida como a última a morrer. Ele, o primeiro a perecer. A Esperança tentou, por anos a fio, convencer o Medo de que não tinha que ter medo. “A vida é muito curta para ficarmos pensando nas coisas que podem acontecer, isso se elas acontecerem!â€, dizia ela. Mas o Medo, que além de medroso, era teimoso, insistia na sua insegurança. Pensava não no passo seguinte, mas no segundo, no terceiro e até no quarto passo. Por isso era tão medroso. “Tenho medo dissoâ€, “tenho medo daquiloâ€, era só isso que o Medo tinha a dizer. Dizia que a Esperança fantasiava demais, que ela tinha que encarar os fatos, a realidade do amor impossível. E a Esperança dizia que o Medo precisava de mais determinação para tentar algo além de congelar diante da possibilidade do possível fracasso, porque apesar de serem tão diferentes, se amavam muito. E o medo do futuro não podia ser “O†obstáculo para um amor que julgavam ser tão grande. Mas o medo do Medo foi maior, mesmo ele dizendo que o medo dele era, no fundo, a maior declaração de amor que ele podia dar a Esperança. A Esperança não entendeu bem assim. Não era amor, era covardia, dizia ela. A verdade é que o Medo desistiu de amar e de ser amado de verdade. A Esperança é a última que morre, é o que dizem por aí. Pode ser. Mas o Medo se faz triunfante antes de tudo quando não existe coragem para vencê-lo.

De Papo Pro Mar

 

É, Mar, amigo velho que vejo pouco, tão grande que chega lá do outro lado do mundo, tem horas que eu queria que você me levasse pra longe daqui, para outras praias, novos ares, menos para ilhas desertas. Odeio solidão, mesmo sendo ela uma incômoda acompanhante desde que me entendo por gente. A solidão, meu caro, é uma sombra. Você não. É infinito frente a minha insignificância. É grande a perder de vista, imponente, misterioso, molhado e salgado. Eu queria que você me levasse, que me fizesse esquecer de pessoas que fizeram mal a mim e que elas enfim me esquecessem, mas se não der, paciência. Sei que sou forte para encarar meus algozes. Eu acho.
Você bem que podia me puxar para mar aberto, mas não para me servir como lanche para tubarões – o máximo que eles conseguiriam comigo é palitar os dentes -, e sim para que, meio que de propósito, eu caísse no colo de uma linda sereia e ao lado de algum tesouro perdido, já que o maior tesouro que posso ter, a felicidade, está mais escondido do que esses antigos galões de ouro espanhóis naufragados por aí.
Pelo menos, ao tomar banho nas suas águas, parece que as vibrações ruins foram embora. Estou pronto para outra. Qualquer dia a gente se encontra de novo, amigo velho. Um abraço, do seu tamanho.

Sobre Desistir e Perder

Hoje sei a diferença entre desistir e perder. Até pouco tempo atrás parecia que as duas palavras caminhavam de mãos dadas. Mas não andam. Não pode existir vergonha de perder. Todos somos passíveis de erros, não existem pessoas invencíveis. Talvez existam pessoas mais fortes, isso sim. Mas mesmo essas pessoas mais fortes podem perder um dia, mesmo que elas vejam que elas não tem esse direito. Mas até elas tem. Com a derrota a gente baixa a bola, repensa as estratégias e continua a caminhada. É o caminho: caiu? Levante. Caiu mais uma vez? Levante de novo. Simples assim.
Já desistir, não. Desistir por desistir é ter que carregar uma eterna derrota nas costas e não enxergar esse fato, falar que as coisas são assim mesmo e ponto final. Só isso.
Por isso, lute. Mesmo que tenha 1% de chances, mas lute. Não desista sem tentar. Sei que esse papo é mais antigo do que andar para a frente, mas é a mais pura verdade. Lute. Lute e tenha um sonho tranqüilo.

Eu e Meus Três Textículos

Enquanto a programação normal não volta por problemas técnicos, fiquem com meus três textículos, com trocadilho, por favor. Até quinta-feira tudo volta ao normal, se é que tem algo de normal nesse blog. Deliciem-se com meus textículos! Até.

Ou ainda Minutos de Sabedoria

Comparo o início de ano com a arrumação do meu quarto. Apesar de que eu arrumo o meu quarto com mais freqüência, umas duas ou três vezes por ano, o começo do ano é quando a gente coloca as coisas em ordem, para poder bagunçar de novo.

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Ainda temos que defender as diferenças. O mundo está ficando muito chato, está todo mundo ficando igual. Mesmas roupas, mesmas atitudes, mesmas palavras, mesma falta de educação, mesma mediocridade. Já dizia um professor meu que temos que defender que todos nós sejamos igualmente diferentes, ou diferentemente iguais. Iguais em oportunidades, em acesso a cultura, mas diferentes nas particularidades de cada um, que fossem respeitadas…Igualmente. Entenderam? Não? Nem eu.

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Tem vezes em que a vida é uma espécie de crime sem solução. A gente pensa numa saída, pensa mais um pouco, dá um tempo e pensa de novo e ainda pensa mais um pouquinho antes de dormir para tentar arrumar uma solução em meio a um beco sem saída, mas não acha. Feliz é quem tem idéias do nada, porque não gasta dias e noites pensando numa saída para algo que parece que não tem como fazer mais nada. Mas mesmo assim a gente vai pensando, mesmo que pareça sem solução. Vai que dá certo?

O Tempo, Pornografia Russa, Mega Sena e Outras Coisas Menos Filosóficas

O tempo é mais cruel que o Romário em seus áureos tempos, nos campos e nas boates. Quando o tempo podia passar voando, ele se arrasta. Quando podia passar arrastado, voa. Sempre foi assim. Estou olhando o relógio, encarando-o como se ele fosse se sentir intimidado e assim marcaria logo a saída do trabalho. Tudo que posso fazer é entoar o meu mais novo mantra: “Só até as cinco! Só até as cinco! Faltam duas horas! E nada de site pornô! Pornografia Russa é a melhor!â€. O mantra nunca funcionou.
Aposto que se eu estivesse num momento de orgasmos múltiplos com a mulher mais desejada do mundo, o tempo ia passar rapidinho. Em compensação, se eu entro numa fila quilométrica para pagar as malditas das minhas contas, o tempo demora a passar, a menos que eu esteja atrasado para alguma coisa. E se eu tentar faturar a mulher mais desejada do mundo numa fila de uma lotérica, sem ter lugar nenhum para ir? O tempo passaria mais rápido ou não? Impossivel dizer. Impossivel mesmo. A mulher mais desejada do mundo nunca estaria numa fila para fazer sua fézinha na mega sena. Tudo o que me resta é entoar meu mantra meia-boca: “Só até as cinco! Só até as cinco! Faltam duas horas! E nada de site pornô! Pornografia Russa é a melhor!â€

Olhando para o Futuro, mas sem esquecer do Passado…

…ou ainda Quase um Capítulo de Livro de Auto-Ajuda:

O passado tem que ficar para trás. Nosso mundo é hoje, não podemos ficar presos a o que nos aconteceu. Os bons momentos ficam na memória, e que seja melhor assim, guarda-los com todo carinho que merecem. Mas os erros também merecem ser guardados, para que não se repitam. Quem muito olha para trás tem medo do futuro, e o futuro pode nos reservar boas coisas. Mudança. Essa é a palavra. É a palavra para esquecer quem e o que nos fez (e muitas vezes ainda nos faz) sofrer. Novo sangue correndo nas veias. Novo dia ensolarado pela frente. Novas pessoas para se conhecer (e para se surpreender com elas e também para se decepcionar um dia, porque não?). Esqueçam o passado, ele não pode mudar mais nada pela gente. Olhem para a frente. O Destino nos aguarda.

E sem esquecer do passado…um poema:

Amor Adolescente

Meu amor adolescente é de Velha Guarda
Respeita seus sentimentos, minha amada
E é capaz de te esperar por toda vida
E após a morte, se for preciso (e possível).
Procura suas mãos de forma tão tímida
E levemente as acaricia,
Como quem não quer nada, mas quer.
Quer escutar sua voz, e te liga sem motivo
E ainda pensa que te ama escondido,
Mas todos sabem do que se trata, todos sabem!
Sem tocar violão prometo serenata
E com ar intelectual,
Quase um Imortal
(coitado de mim e do meu amor),
faço poesias bobas quanto uma piada sem graça
- mas tudo com muito carinho!
Meu medo é ficar sozinho, louco
Com meus devaneios
E não te dizer todo dia que te amo.

Rio, 25 de junho de 2008.

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