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NadaCrônicas, 33

Ou Ainda Da Vez Que Visitei o Céu

Sinceramente, nem sei o que me aconteceu naquele dia. Fui dormir como em qualquer outra noite, mas pareceu que eu saí do meu corpo. Vi-me deitado, babando no travesseiro – como sou feio dormindo! – e algo me puxava para cima. Procurei por cordas, asas, até por um elevador, mas eu estava flutuando. Flutuei, flutuei e flutuei até alcançar as nuvens. Verdade, eu tenho que parar de comer feito um condenado antes de dormir, a coisa já está ficando meio estranha.
Até que fiquei na frente de um portão dourado, e um senhor barbudo, simpático até, me olhando:
- Estávamos te esperando! Desculpe a viagem, é que mudamos o programa de satélite que faz essas coisas, tecnologia japonesa, sabe como que é, né…
- M-mas onde estou?
No Céu.
- Sério?
- Não, na Central do Brasil. Não ta vendo, meu filho? Nuvens, um portão dourado, um velhinho simpático te recebendo…
- São Pedro?
- Sou eu. Prazer.
- Desculpa, é que eu nunca morri antes, eu acho.
- Mas você não morreu.
- Não?
- Não.
- Então o que eu to fazendo aqui? Não sabia que existia Céu para ateus.
- Aí que está a graça. Vocês são os únicos que não se preocupam com recompensas ou castigos depois de morto. Todo mundo reza porque quer vir pro Céu. Fazem o Diabo, mas pensam que rezando está tudo bem. Agora, fazer o bem para os menos afortunados sem esperar recompensas eternas é um ato interessante que merece ser recompensado.
- Faz sentido. É confuso, mas faz sentido. Mas se não morri, o que estou fazendo aqui?
Sabe aquelas visitas que você faz antes de se mudar para algum lugar? Pois é. Segundo a ordem do Chefe, a gente passou a fazer a mesma coisa. Nós daqui e eles lá embaixo, se é que você me entende. Sabe como que é, mundo capitalista, concorrência, esse blábláblá todo que você está acostumado.
- Significa que vou fazer uma visita ao Céu e ao Inferno?
- Uhum. E quando você morrer de fato, já sabemos para onde você vai. Evita fila, burocracia, essas coisas terrenas.
- Legal…
- Então, que está achando do Céu?
- Sei lá…
Como assim, “sei lá”? Aqui é divino. De outro mundo!
- Desculpa a sinceridade, é que aqui parece a Quinta da Boa Vista.
- E não é bom? Um lugar bucólico para alguém…
- Bucólico.
- Isso!
- Não me leva a mal não, mas espero que tenha mais coisa para fazer por aqui.
- Ó a vista! Panorâmica! Sua nuvem própria! Delícia!
- É, legal.
- Você gosta de música, né?
- Claro!
Você pode aprender a tocar harpa.
- Aí enfraquece, Pedrão.
- Por quê?
- Passei metade da minha vida tentando aprender a tocar violão para fazer um barulhinho legal numa guitarra, e o senhor me vem com harpa?
- É tudo de corda, faz diferença?
- Faz.
- É que o barulho de guitarra é meio infernal. Aqui somos celestiais! Celestiais, Flavio!
- Entendi.
- Ó, o Diabo ta aí no portão te esperando.
- Mas quero ir pro Inferno não!
- Por quê? Só porque todas as pessoas de índole duvidosa estão por lá?
- Não.
- Só porque você não lida com a idéia de ameaça diária de violência?
- Não. Eu estou acostumado com pessoas de índole duvidosa e com ameaças diárias de violência. Sou do Rio de Janeiro.
- Então porquê você não quer nem conhecer o Inferno?
- Porque não agüento com lugar quente. E também tem outra justificativa.
- Qual?
Cansei de ser underground. Quando começo a tocar harpa?

NadaCrônicas

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Copiado descaradamente de www.linhadotrem.com

Ou ainda O Sonho, Parte 2

Uma coisa que sempre tive a curiosidade de saber era a respeito dos significados dos sonhos. Olha que eu nem sou desses de ver nos sonhos um aviso sombrio sobre o futuro. Era mais coisa de psicologia, sei lá. Uma das coisas que quero fazer um dia é dissecar algum sonho da minha mãe, que sempre tem sonhos malucos, mais ou menos assim:
- Bom dia, mãe.
- Bom dia.
- Dormiu bem?
- Dormi sim, meu filho. Mas eu tive um sonho estranho: sonhei que estava em Guarani com seu pai e mais seu tio Antônio, até que teve um terremoto e depois apareceu um dinossauro e engole teu pai. Aí aparece um carro da PM, e eu falo com os policiais, mas eles falam que não podem fazer nada, pois são do batalhão do Méier e não podem fazer nada numa cidade pequena em Minas Gerais. Então chamei seu avô Bruno, o Pelé e o Sérgio Chapelin  para procurar o dinossauro que tinha engolido seu pai, mas na hora em que a gente está saindo de casa, sua vó liga falando que seu pai está na casa dela, já que o dinossauro deixou seu pai lá, inteirinho. Estranho, não?
- Mãe, por que o Pelé e o Sérgio Chapelin?
- Não sei.
- A senhora só tem sonho estranho mesmo.
E minhas dúvidas pareciam que iam ser eternas. Pareciam.
E entrei para a faculdade. Se não me engano, no primeiro ou no segundo período, tive aulas de Psicologia, só que mais voltada para a parte educacional. Mas a professora, muito gente boa, numa de suas últimas aulas, deu uma aula a respeito de sonhos, baseada em toda a teoria do Freud. Já que o sonho era uma mensagem pra lá de subliminar do inconsciente, eu, com esse curso rápido em decifrar sonhos, poderia saber o que se passa na cabeça das outras pessoas quando elas me contassem seus sonhos.
E o início foi animador. Eu arrumei uma cobaia, meu grande amigo Victor:
- Victor, aprendi uma coisa nas aulas de Psicologia que é muito legal. Eu aprendi a decifrar o sonho das pessoas.
- É? Então se eu contar para você o que eu sonhei você vai dizer o que eu estou sentindo?
- Uhum.
- Beleza. Seguinte. Muito simples. Sonhei que estava prestes a matar minha mãe.
- Fácil. Você brigou com ela ontem?
- A gente discutiu sim, e fui dormir com um pouco de raiva.
- Então é isso. Você estava matando sua mãe no sonho porque vocês tinham brigado, e ela provavelmente te tirou do sério, ou estou errado?
- Você tá certo! Esse troço funciona mesmo…
- Eu te disse, meu caro. Eu te disse.
E assim foi. Expliquei para ele a parte da teoria Freudiana que sabia, todo aquele papo da nossa cabeça pensar em fazer coisas que não podemos fazer na vida real para haver um equilíbrio, e por aí vai. Dissequei uns sonhos meus que eu lembrava, dissequei outros de outras pessoas, e parecia que eu estava acertando tudo. Então fui para o desafio final: o inconsciente de minha mãe.
- Mãe, te disse daquela aula que aprendi a decifrar os sonhos e que eu acertei em cheio todos os sonhos que me meti a decifrar. Se a senhora me contar o que a senhora sonhou na última noite, vou acertar também.
- Que bom! Então vamos lá. Seguinte: sonhei que você estava loiro, mas que tinha sido raptado pela KGB. Até que sua irmã teve a ideia de mandar sinal de fumaça para o Greenpeace, e os seus amigos achando que você já tinha morrido. Até a Juliana Paes apareceu no sonho, falando de um tal de Kremilin, um russo que vivia no Rio há 30 anos, que ele sabia de tudo. Só que o russo na verdade era um boliviano, que tocava aquelas flautas estranhas, num grupo chamado Los Andes, com os Power Rangers e a Velha Guarda da Portela. Até que quando olhei de novo, o russo-que-era-boliviano tinha sumido e eu mais a Juliana Paes estávamos na Feira de São Cristóvão, dançando forró.
- Acabou?
- Sim.
- E eu?
- Ué, não te disse? Você estava loiro e foi sequestrado.
- Sim, eu sei, mas eu apareci?
- Não.
- …
- Descobriu alguma coisa?
- Sim.
- O quê?
- Que nem Freud te explica, mãe!

P.s.: História copiada de fatos reais que aconteceram comigo. O Victor pode não se lembrar, mas eu já decifrei um sonho dele! E sim, tentei decifrar um sonho da minha mãe, sem sucesso. Droga!

O Sonho!

Pfffff… Sharapova é para os fracos!

Amigos, vou contar para vocês um sonho que tive esta noite.

É o seguinte:

Sonhei que estava indo fazer alguma coisa no Maracanã, um curso, ver um jogo, matar alguém, que seja, eu estava indo para o Maracanã, num ônibus da linha 711, que deixa em frente ao Maior do Mundo. Normal. Só que o motorista não parou no ponto em frente ao Maracanã, disse que o ônibus não parava mais ali. O maldito do motorista só me deixou sair do ônibus em Benfica, que é até perto do Maracanã, mas só se você estiver de carro ou…de ônibus. Mas a parte mais doida do sonho começa agora. No sonho eu pensei: “Benfica? Ta perto do Maraca, dá para ir andando!” E eu fui andando. E acabei me perdendo, entrei numas ruas estranhas, bati numa porta, onde uma senhora simpática me atendeu, e a perguntei como fazia para chegar no Maracanã. Ela não sabia, mas me pediu para procurar as vizinhas da porta da frente dela. E assim o fiz. Meus amigos, para minha felicidade, as tais vizinhas eram duas russas lindas(ou pareciam ser russas, mas não sei porque eram. Coisas do inconsciente) com aquela cara de “Ei, bonitão, estamos dispostas a fazer tudo”. Seria a hora de lavar a alma. Elas me convidaram para entrar, a gente trocou meia dúzia de palavras e já estávamos pelados. Sim. Eu e as russas. Eu ia fazer tal qual o Exigente da minha crônica da semana passada, ia ser feijão-com-arroz, cachorro quente de paio, belle le cremme, duplo twist carpado, tchuim tchuim tchunflai, liquidificador da meia noite, pão na chapa…ou seja, barba, cabelo e bigode.

Ia. Falei certo. Ia.

Na hora em que deito na cama para a diversão, batem na porta. Justamente quem eu não imaginava que iria atrasar meu lado, atrasou. Minha banda. Sim, meus amigos, minha banda estava preocupadíssima me procurando. As russas saíram da cama, se vestiram, atenderam a porta, e já era. Acordei. Indignado.

Se o sonho é um aviso, acho que vou sair da banda. Malditos.

Para quem não leu minha crônica d’O Exigente, ou para quem quer ler de novo, segue o link:

http://www.umblogdenada.com/index.php/2009/04/19/nadacronicas-6/

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