Serei sincero com vocês. Hoje acordei sentindo o coração apertado e pequeno como uma moeda de um centavo cortada ao meio. O que mais machuca o coração são dias assim. A gente diz que não sabe o que é, mas sabe. A gente diz que não é nada, mas é o que define o sentido da vida. A gente diz que vai passar, e até passa, mas volta. Diz que já esqueceu, mas é inesquecÃvel. Nada pior que amar e ter a certeza de que não é amado. Tristeza. Muita tristeza. Eu acho que vou cortar meus pulsos agora. Droga. Só tem faca cega. Viver. Viver após mais uma morte. A morte do amor. De novo.
Paulinho da Viola - Pra Fugir da Saudade
(E eu não paguei os direitos autorais…)
Saudade
Você fez da minha vida
Uma rua sem saÃda
Por onde andou minha solidão
E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
e se desfolha em meu coração
para aliviar meu sofrimento
O silêncio, meu canto de felicidade
Dentro de um samba disfarço o que ela me fez
Quero abrigar, no entanto,
Mais uma flor que renasce
Para fugir da saudade e sorrir outra vez
Saudade
Você fez da minha vida
Uma rua sem saÃda
Por onde andou minha solidão
E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
e se desfolha em meu coração
para aliviar meu sofrimento
Mágoas de Um Bonzinho
Às vezes invejo os cafajestes, ainda mais que por mais que eu me esforce, nunca serei um. A vida real, crianças, é muito diferente do conto de fadas, não se iludam. O mundo não é dos bonzinhos. Não é, e nunca será. Os bonzinhos serão para sempre os carregadores de piano. O mundo é dos cafajestes. Eles dominam a cena polÃtica e roubam milhões dos cofres públicos, mas todos o amam, porque os cafajestes são do tipo “rouba, mas fazâ€. Se um bonzinho consegue chegar a um cargo público, ou não dura ou o povo vai ficar falando mal dele enquanto ele for vivo e depois dele morrer. O cafajeste, não. Tem estátuas, tem seus nomes nas principais avenidas, o lugar de protagonista na História. Aos bonzinhos restam uma nota de rodapé de página.
Os cafajestes é que são tidos como homens de verdade, essa não é a realidade. Penso que os cafajestes não têm a força de um bonzinho. Se você tem um amigo bonzinho, comece a reparar nele e escute sua história. Os bonzinhos são, na realidade, uns fortes. Com aquele jeito meio amargurado, mas sereno, de fala mansa, andando sempre meio cabisbaixo, tidos como lerdos, eles sim suportam as piores torturas. É o que chamamos no estudo da História de “História dos vencidosâ€. Eles não nasceram para brilhar. Em nada. Triste, não é? Aos bonzinhos restam as lágrimas, o sabor amargo da vida discreta e as piores mulheres. Sim, as piores mulheres. Os cafajestes sempre tiveram as melhores mulheres. Até as mais inteligentes se curvam a um cafajeste. Todas as mulheres falam que sonham com um homem romântico, com os pés no chão e que dê segurança. Teoricamente os bonzinhos reúnem todas as qualidades citadas e talvez outras não citadas por conta do horário e das crianças que lêem podem estar lendo este texto (pára de ler isso, criança! Vai jogar um videogame ou brincar de médico com sua prima! Escrever é coisa de bonzinho). Mas quem elas procuram? Os cafajestes. Reclamam que o cafajeste a levou para a cama, deitou e rolou, depois dormiu e de manhã elas ainda acordam sozinhas e depois o cara não liga mais, porém, como diz o ditado popular, “amor de pica é que ficaâ€. O bonzinho, coitado, fica na mão. Literalmente. Aos bonzinhos resta serem os melhores amigos. Coadjuvante. De novo.
Os cafajestes ganham em todas: são as estrelas do futebol, são os “pais do povoâ€, os chefes, os que podem ter qualquer mulher (qualquer mulher mesmo) e assim por diante. Os bonzinhos, bem, os bonzinhos são o resto.